|
|
Aluno morre após ser espancado em CEU na zona sul
de São Paulo
Um adolescente de
14 anos morreu após ter sido espancado por três colegas no CEU Vila Rubi, no
Grajaú (zona sul de São Paulo). A família do adolescente diz que ele foi
agredido dentro da escola. Na versão da diretoria, a briga ocorreu do lado de
fora. O caso está sendo investigado pela polícia.
A agressão ocorreu no último dia 3, uma quarta-feira. Luiz Rodrigo de Souza
Rocha saía da escola quando foi cercado por três estudantes --tinham 11, 12 e 14
anos, de acordo com colegas. O jovem levou vários chutes, principalmente nas
costas.
Luiz Rodrigo não voltou à escola naquela semana. Na segunda seguinte, foi levado
ao Hospital Estadual do Grajaú com dor nas costas. Os exames não apontaram
problema.
As dores, porém, não passaram, e ele voltou ao hospital. Como antes, os médicos
não encontraram nada grave.
Na sexta à noite, sem conseguir mexer as pernas e com dificuldade para falar,
Luiz Rodrigo foi levado numa ambulância, pela última vez, ao Hospital Estadual
do Grajaú. Morreu naquela noite, nove dias após ter sido atacado. A missa de
sétimo dia foi rezada na sexta passada.
O IML (Instituto Médico Legal) analisou o corpo e emitirá um laudo sobre a causa
da morte até o final de outubro.
A família acusa o hospital e a escola de negligência. Segundo a faxineira Oenes
Souza, 39, mãe do adolescente, os médicos não se preocuparam com a gravidade do
caso. A direção do hospital responde que o atendimento prestado "foi correto".
No caso do CEU, a família afirma que a diretoria não poderia ter permitido o
espancamento. "Sabe o que me disseram? "Não foi aqui dentro. Não temos nada com
isso. Só lamentamos, sentimos muito'", conta a mãe.
A Secretaria Municipal da Educação, responsável pelos CEUs (centros educacionais
unificados), não respondeu aos telefonemas da Folha.
Luiz Rodrigo era o mais velho de quatro filhos. Estudava na sexta série, com o
irmão de 13 anos, Vinícius. Foi reprovado duas vezes, porque se interessava mais
pelo futebol que pelos estudos --sonhava ser jogador. Segundo a família, não se
envolvia em confusões.
A briga, na versão de Vinícius, ocorreu por um mal-entendido. Os três agressores
haviam sido denunciados à diretoria por roubo de materiais do CEU para vendê-los
a um ferro-velho. Os jovens acreditavam que o delator havia sido Luiz Rodrigo.
Segundo o irmão, quem fez a denúncia foi, na realidade, outro Luiz.
"Tenho medo de voltar para a escola", conta Vinícius. Desde o dia da briga, nem
ele nem o irmão de 11 anos, Kléber Eduardo, voltaram ao CEU Vila Rubi. O caçula
da família, Mário, 5, estuda em outra escola.
"Eu achei que o CEU iria ser bom para os meus filhos, por causa da piscina, das
quadras e das atividades. Foi o maior erro da minha vida ter permitido a
transferência deles", diz a mãe.
A família afirma que, assim que receber o laudo do IML, pretende processar a
escola e o hospital.
|
|