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Ministro afirma que MEC será mais rigoroso com cursos de medicina
Após a divulgação de que 61% dos estudantes de medicina foram reprovados no
exame Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo), o ministro da
Educação, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira que vai fazer com os cursos
de medicina aquilo que fez com os cursos de direito, ou seja identificar as
deficiências das instituições e saná-las.
"O exame da Cremesp vem sendo aplicado há pouco tempo e, ao contrário do exame
da OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], é uma espécie de piloto ainda. Não
conheço a prova propriamente para dizer se está calibrada para a função", disse.
Haddad considerou "grave" o índice de reprovação dos alunos e disse que uma
comissão deve entregar ao Ministério da Educação, nos próximos dias, relatório
sobre os cursos que obtiveram avaliação negativa no ensino superior.
Ao participar do programa "Bom Dia, Ministro" nos estúdios da Empresa Brasil de
Comunicação (EBC), Haddad assegurou que quaisquer que sejam as recomendações da
comissão, "das mais leves às mais drásticas, serão acatadas pelo MEC".
"Enfrentamos o debate em relação aos cursos de direito. Fechamos 25 mil vagas e
não vamos nos intimidar [diante da] necessidade de tomar providências em relação
aos cursos de medicina, que lidam com saúde pública. Não podemos vacilar. Se os
cursos estão deficientes, vão ter que fazer os investimentos devidos, sob as
penas da lei".
Exame
O Exame do Cremesp foi realizado em agosto e em setembro. Em relação ao ano de
2005 --que teve 31% de reprovação--, o índice deste ano teve um crescimento de
97%.
De acordo com o conselho, 31 escolas médicas estão em atividade em São Paulo e
24 delas formam cerca de 2.300 alunos por ano. As demais, abertas há menos de
seis anos, ainda não formaram as primeiras turmas.
O número de participantes na quarta edição do Exame corresponde, segundo o
Cremesp, a cerca de 30% do total de estudantes que cursam o sexto ano de
medicina no Estado. Para o conselho, o resultado do exame indica a deterioração
da qualidade no ensino médico em São Paulo e chamou a atenção de que a situação
pode ser ainda pior, já que a participação no exame é facultativa. Isso pode
significar, segundo o conselho, que os alunos mais preparados são os
participantes da avaliação.
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