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86% das escolas de SP relatam violência
Pesquisa realizada pela Udemo
(Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São
Paulo) em abril de 2008 revela que 86% de um total de 683 escolas estaduais
entrevistadas relataram algum tipo de violência ocorrida em 2007. O sindicato
enviou o questionário para 5.300 escolas de todo o Estado.
O percentual de violência relatado é similar ao obtido pela Apeoesp (Sindicato
dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP) em pesquisa realizada em
2006. Na época, 87% dos professores entrevistados revelaram saber de casos de
violência ocorridos na sua escola.
Segundo os dados da pesquisa da Apeoesp, a violência verbal ocorreu em 96% dos
casos de violência. Os atos de vandalismo, em 88,5%; a agressão física, em 82%;
furto, em 76%; assalto a mão armada, em 18%; violência sexual, em 9%; e
assassinato, em 7%.
A pesquisa da Udemo revela que na capital apenas 12% das escolas não relataram
nenhum tipo de violência. Na Grande São Paulo, o número cai para 3%. No
interior, o número é de 18%. A pesquisa constatou também que 88% dos professores
e funcionários foram desacatados, 85% dos alunos se envolveram em brigas e 21%
das escolas registram ameaças de morte a alunos, professores, funcionários e
direção.
A Udemo realizou pesquisa similar sobre violência em 2002 e 2000, com 300 e 496
escolas estaduais, respectivamente. De 2002 para 2007, as brigas envolvendo
alunos passaram de 78% para 85%. O número de escolas que sofreram pichações
passou de 40% para 60% e os danos a veículos passaram de 28% para 62%.
Para Maria Izabel Azevedo de Noronha, presidente da Apeoesp, uma das causas do
aumento da violência é a diminuição da autoridade do professor. "Retiraram a
autoridade do professor e a autonomia do conselho. O conselho de escola é
deliberativo, porque lá participam pais, professores, alunos e funcionários.
Esse é o melhor coletivo para tomar qualquer decisão", diz Noronha.
Segundo ela, existe orientação para que não sejam feitos boletins de ocorrência
em casos de agressão, o que acaba distorcendo as estatísticas.
"O padrão que se tem na escola muitas vezes ainda é a educação autoritária, o
que pode gerar conflitos cada vez maiores. Os alunos muitas vezes não são
chamados para participar e entender as regras e ter uma convivência melhor
naquele ambiente. No cotidiano, professores e alunos não estão conseguindo criar
uma relação que seja positiva", diz Carin Ruotti, socióloga e pesquisadora do
NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP.
"Nós queremos uma posição firme da secretaria e que a secretaria ouça um pouco
mais os professores", diz Noronha.
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