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Entidades usam funcionários públicos para criar curso pago
Além de disciplinar o repasse de verbas federais para pesquisa, o acórdão do TCU
também aponta como irregular outras práticas cometidas pelas universidades, como
a utilização dessas fundações para recolher taxas de vestibular ou o pagamento
de professores que dão aulas em cursos pagos de pós-graduação lato sensu por
meio dessas entidades, e não em projetos da própria universidade.
O órgão também critica a prática de repassar às fundações recursos destinados a
atribuições diretas das universidades, como a realização de obras e a
contratação de trabalhadores para atividades que podem ser feitas por
servidores. É comum ocorrer a transferência de verbas para a conta de fundações
no fim do ano, para evitar que os recursos tenham de ser devolvidos à União.
O TCU identificou, em suas auditorias em 14 universidades, também casos de
bolsas pagas a professores com valores considerados exorbitantes (que
ultrapassariam o teto do funcionalismo público), falta de fiscalização adequada
das fundações, e repasses de recursos públicos a essas entidades com a
finalidade de fugir da lei de licitações ou da necessidade de contratação de
servidores por meio de concurso.
O tribunal, no entanto, não revelou detalhes sobre cada uma dessas auditorias
porque elas ainda estão em processo de averiguação.
Sobras de fim de ano
Segundo o Ministério da Educação, as universidades já dispõem hoje de
instrumentos para realizar essas atividades sem a necessidade de repassar verbas
para as fundações.
Também não há mais o risco, de acordo com o ministério, de as universidades
perderem verbas não gastas até o fim do ano. A lei orçamentária foi alterada
justamente para permitir que essas instituições tenham mais tempo para executar
essas despesas, diz o MEC.
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