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Preconceito familiar dificulta inclusão de deficiente
no ensino
O preconceito dos parentes ainda é uma barreira para a plena inserção de
pessoas com deficiência na sociedade e, principalmente, na escola.
Pesquisa feita entre outubro de 2008 e outubro de 2009, com 190 mil
famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mostrou
que 52% das famílias acreditam que não adianta colocar o deficiente na
escola. O BPC atende a idosos que não recebem nenhum tipo de auxílio
previdenciário e a pessoas com deficiência, incluindo crianças e
adolescentes, oferecendo um salário mínimo.
Para tentar mudar essa realidade, o Ministério da Educação reuniu na
última sexta-feira, em Brasília, especialistas dos ministérios do
Desenvolvimento Social (MDS) e da Saúde, além de representantes do
Ministério Público e da Secretaria dos Direitos Humanos para traçar
ações que ajudem na inserção de pessoas com deficiência na escola. Para
isso, foi instituído o programa BPC na Escola.
A diretora do Departamento de Benefícios Assistenciais do Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Maria José de Freitas, disse
que o intuito do programa é de identificar barreiras sociais no dia a
dia. Segundo ela, a iniciativa deverá combater as desigualdades e o
preconceito que os deficientes encontram para ter acesso à educação.
"A ideia do BPC na Escola é promover e garantir a permanência das
crianças nas escolas, tendo como eixo principal a identificação de
crianças que estão fora da escola e quais as barreiras que as impedem de
estudar ou, em alguns casos, de continuarem no ambiente escolar. A ação
articulada é uma maneira de confrontar essa realidade e trazer soluções
a esse grupo", disse.
A pesquisa também indicou que 68% dos beneficiários atualmente vão à
escola; 18% já foram, mas hoje estão fora da sala de aula, enquanto 14%
nunca frequentaram o ambiente escolar. O programa BPC foi estendido à
assistência escolar a fim de oferecer subsídios aos portadores de
deficiência no acesso à educação.
Outro dado importante da pesquisa destaca a dependência das pessoas com
deficiência para ir à escola. De acordo com o levantamento, 80% dos
beneficiários que frequentaram a escola precisavam de alguém que os
levassem, e dos que estão matriculados, 73,6% necessitam de um
acompanhante.
Atualmente cerca de 2,6 mil municípios brasileiros, equivalente a 47% do
total, têm o programa BPC. De acordo com a diretora, a ideia é capacitar
mais técnicos para que o acesso à iniciativa abranja todos os
municípios.
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