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Tiririca (o palhaço) eleito, é considerado analfabeto
por professor
Escrever o próprio nome, palavras ditadas e ler um texto não testa a
alfabetização, e o conhecimento necessário para a realização da prova
pode ser adquirido em menos de um mês. Segundo a professora de português
Rosimara Vianna, o que um exame deste tipo checa é a "decodificação".
"A aquisição dos códigos, reconhecimento das letras, juntar letras e
formar sílabas e sílabas para fazer palavras e frases, não significa que
ele entende os códigos, ele decodifica", disse a professora. De acordo
com Rosimara, quando a criança aprende a ler, ela reconhece as palavras,
as lê separadamente, mas não sabe contar o que leu após terminar um
texto, não existe compreensão. A pessoa reconhece, mas não absorve.
"No caso do Tiririca, queremos um legislador que saiba argumentar,
entender os projetos de lei, compreender e formar uma opinião a
respeito", afirmou ela. Para provar o nível de alfabetização dele, o
teste aplicado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo na
última quinta-feira é insatisfatório. O ideal, para a professora, seria
pedir ao candidato para redigir uma autobiografia, ou transmitir os
próprios pensamentos para o papel.
"Escrever o que uma pessoa dita é fácil, basta conhecer o alfabeto.
Produzir um texto, somente quem é alfabetizado consegue. Redigir um
texto ditado depois de 30 dias de aula ele consegue", disse Rosimara
Viana.
Além disso, segundo o professor do núcleo de educação da Universidade de
Brasília (UnB), especializado em alfabetização de adultos, Renato
Hilário dos Reis, "quando se aprende rápido não há a consolidação do
aprendizado, a tendência é a pessoa desaprender e voltar ao que era". O
professor afirmou que, pela lei, alguém que redige um texto de cinco
linhas já é considerado alfabetizado.
"É um conhecimento superficial e mecânico, isso o teste prova se a
pessoa sabe ou não, o problema é que a pessoa olha para as palavras, mas
não sabe o que querem dizer", disse Reis. Para ele, a situação está
distante da alfabetização. "É preciso constituir um conceito político no
sujeito, alfabetizá-lo para tornar possível que ele saiba escrever sobre
o seu conceito historio e produzir um texto."
Semi-analfabeto consegue se candidatar
Mesmo após apresentar diploma de formação no 4º ano do Ensino
Fundamental, o candidato a vereador em Januária (MG), Wanderley
Frederico Paulo Teixeira (PMN), foi submetido a um teste pelo TRE em
agosto de 2008. Teixeira teve problemas ao realizar o teste oral e
escrito aplicado pelo TRE. Por causa dos erros de grafia e dicção foi
considerado semi-analfabeto. No entanto, a decisão do juiz foi favorável
à candidatura de Teixeira.
Segundo o TRE-SP, não existe uma regra de como a prova que testa o nível
de alfabetização do candidato deve ser. Cada tribunal tem livre escolha
no desenvolvimento do teste, apesar disso, eles costumam seguir um
padrão: leitura e redação de texto ditado. O caso do candidato a
vereador de Ibirama (SC), Severino Ancini, em 2004, foi parecido. Ele
também possuía diploma de alfabetização e, no entanto, foi submetido a
um teste no TRE. A decisão caracterizou a escrita e leitura do vereador
como "lastimável" e "precária". Porém, como ele conseguiu realizar a
prova, não teve a candidatura cassada.
Candidatos cassados
Em setembro de 2008, o candidato a vereador em São Paulo, Ademir Gomes
de Almeida, foi barrado pelo TRE. Apesar de saber escrever o próprio
nome, Almeida não conseguiu redigir um texto ditado no tribunal. Na
decisão, o juiz Paulo Alcides, relator, afirmou que "o teste de aferição
realizado pelo recorrente está a demonstrar, de forma categórica, que
ele não possui domínio, sequer rudimentar, da leitura e da escrita e
sabe apenas escrever seu nome."
O registro da candidata a vereador em Campos de Jordão (SP), Diva dos
Santos da Silva, também foi cassado após ela não conseguir ler o texto
apresentado no exame para comprovar se era alfabetizada e também por ela
ter dificuldade em redigir as palavras ditadas.
Mesmo após ser suplente, o candidato a vereador em Peruíbe (SP), Carlos
Pereira dos Santos, foi submetido ao teste de alfabetização. Segundo a
decisão do tribunal, os erros ortográficos ao escrever o texto ditado
comprovaram que ele não possuía nível suficiente de alfabetização para
exercer o cargo. A candidatura de Santos foi cassada em setembro de
2008.
O candidato a vereador de Embu-Guaçu (SP), Edvaldo Santos de Jesus,
apesar de apresentar comprovante de ter cursado o 2º ano do Ensino
Fundamental, foi reprovado na prova escrita aplicada pelo TRE da cidade.
Por conta disso, foi impedido de se candidatar em setembro de 2008.
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