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Formados superam tabu e trocam de carreira
Escolher uma carreira aos 17 ou 18 anos é difícil, já que muitas vezes
apenas a maturidade irá lhe dizer qual o melhor caminho a seguir. É o
caso de Ana Maria Weiler, 45 anos, que mudou de carreira três anos
depois de formada. "Comecei a trabalhar como Relações Públicas e não
estava feliz", recorda. A força para estudar a sua verdadeira vocação, a
Psicologia, veio quando a profissional já era mãe de gêmeas. "Foi um
desafio estudar para as provas com duas crianças para cuidar", afirma
sobre a medida, que ainda assim valeu a pena.

Para a fundadora da BCO, consultoria de gestão de carreira e transição,
Lígia da Silveira, trocar de profissão tende a se tornar cada vez mais
comum. "As pessoas estão vivendo mais tempo e têm uma vida profissional
mais longa", explica a também dirigente da Associação Brasileira de
Recursos Humanos do Rio Grande do Sul (ABRH-RS). Lígia ainda acredita
que um mundo hiperconectado contribui para a atitude. "Hoje eu vejo
mudanças acontecendo em tempo real e aí a minha vontade de ser diferente
aumenta", diz.
Do outro lado do mundo, Martiane Welter, 33 anos, também está passando
por essa situação. Hoje morando na Austrália, a jornalista e economista
vai iniciar uma das profissões mais cobiçadas e difíceis que existem.
"Eu sempre quis estudar Medicina, mas nunca tive a oportunidade. Recebi
uma oferta de emprego 15 dias após ter me formado em Jornalismo, e a
minha carreira acabou acontecendo naturalmente", lembra. A futura médica
ainda fez mestrado em Economia quando estava no Brasil, mas nunca
desistiu daquela primeira ideia. "Era uma coisa que ficava lá na minha
mente, tipo, essa é a minha verdadeira vocação. Eu sempre gostei de ler
sobre doenças, diagnósticos, tratamentos, olhar fotos sobre o assunto na
internet".
Fora do País, Martiane teve tempo para pensar pela primeira vez no que
realmente queria fazer na vida e a possibilidade de fazer novas
escolhas. Na Austrália, é necessário fazer outra faculdade antes de se
iniciar a Medicina, então a questão da idade não será um problema. "Na
minha turma tem 17 pessoas com mais de 30 anos", comenta.
Durante a segunda faculdade, Ana Maria não tinha tantos colegas da sua
idade. "Eram estudantes que moravam com os pais, dependentes
financeiramente deles. Mas acabei virando a tia da turma, que estudava
mais que eles, que tinha mais responsabilidade, que tinha carro para dar
carona", recorda. E na hora de entrar no mercado, ter uns aninhos a mais
até ajudou.
Para Ana Maria, ser psicóloga com vinte e poucos anos e poucas
experiências de vida, como ser esposa, mãe, dona de casa e profissional,
prejudica um bocado. "Os pacientes olham para ela e não sentem segurança
que uma menina poderá ajudá-lo", acredita. "Com os meus trinta e poucos
anos, eu tinha uma credibilidade que ajudou a fazer o meu consultório
crescer rapidamente", completa.
Mesmo que a idade não seja sempre um fator a favor da nova escolha,
Martiane encoraja quem está em dúvida quanto a grandes mudanças
profissionais. "Essa é uma visão tão limitada e, logicamente, se tu
começar alguma coisa se sentindo em alguma desvantagem em relação aos
outros, não vai dar certo", argumenta.
Lígia também recorda que atualmente não existem empregos sólidos. "O que
é sólido? Só por que se está trabalhando numa empresa multinacional? Mas
ela pode ser vendida. O que mantém um profissional competitivo é quando
o trabalho e a vocação se encontram", acredita.
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