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Fim da discriminação da mulher na educação é exigida
pela ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) reivindicou nesta terça-feira o
direito da mulher ao acesso à educação e à ciência em condições de
igualdade em relação ao homem, como um passo imprescindível para
aumentar sua participação e avanço no mercado de trabalho. "Investir na
mulher não é o correto, é o inteligente", afirmou o secretário-geral das
Nações Unidas, Ban Ki-moon, em um ato na sede do órgão neste centenário
do Dia Internacional da Mulher.

O principal responsável pela ONU disse que nos 100 anos em que se
comemora a jornada houve avanços enormes, mas, ao mesmo tempo, em muitas
sociedades a mulher é um cidadão de segundo plano cujos direitos
fundamentais são ignorados. "Apesar da brecha entre gêneros em matéria
de educação diminuir, ainda há muitas meninas com acesso à escola
negado, que têm que abandonar prematuramente ou concluem os estudos sem
as ferramentas e os conhecimentos necessários", disse ele.
Ban afirmou que uma recente pesquisa apontou que as grandes empresas da
lista Fortune 500 com maior presença feminina em seu conselho de
administração são 53% mais rentáveis que as demais. "Vocês sabem, e eu
sei, que a mulher tem que desfrutar de uma participação completa e
igualitária em todas as áreas da vida pública e particular, só assim
poderemos ter a sociedade justa, sustentável e pacífica prometida pela
Carta das Nações Unidas", disse o secretário.
Além disso, ele disse que na família, na escola, no local de trabalho e
na comunidade ser uma mulher, "frequentemente, significa ser vulnerável"
e que "as mulheres e as meninas são vítimas de discriminação e
violência, em muitas ocasiões pelas mãos de seus companheiros ou
parentes". O secretário também afirmou que falta avançar muito na
integração da mulher na vida pública e política, apesar dos avanços em
relação a presença feminina nos Parlamentos. Menos de 10% dos países
contam com uma mulher como chefe de Estado ou de Governo, segundo dados
da ONU.
Nesse contexto, a diretora da ONU Mulheres, a ex-governante chilena
Michelle Bachelet, celebrou precisamente seu primeiro Dia Internacional
da Mulher à frente da nova agência em Monróvia, junto à presidente da
Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, a única chefe de Estado mulher da
África.
Ban afirmou que nas conversas mantidas nas últimas semanas com líderes
do Oriente Médio, em relação aos protestos populares no mundo árabe,
sempre lembra que devem "fazer mais" em matéria de igualdade de gêneros.
Essa será um das mensagens que transmitirá na semana que vem em sua
visita à região, onde "os direitos da mulher foram ignorados e oprimidos
por muito tempo".
Vencedora de Oscar exige mais personagens femininos
A atriz e ativista americana Geena Davis, que também tomou a palavra no
ato presidido pelo secretário-geral da ONU, exigiu uma maior presença de
personagens femininos nos produtos audiovisuais para menores. Ela
criticou que estes ainda reflitam uma imagem muito sensual e
estereotipada da mulher. A ganhadora do Oscar como melhor atriz
coadjuvante por seu papel em "O Turista Acidental" (1988) afirmou que a
discriminação nas produções infantis é "um problema no qual foram
registrados poucos avanços nos últimos 20 anos".
"Como as crianças assistem aos mesmos programas e vídeos várias vezes,
desde novas ficam com uma imagem estereotipada na cabeça", disse Geena,
que fundou e dirige um instituto dedicado ao estudo do gênero na
imprensa. Em sua opinião, corre-se o risco de que nas novas gerações
persista a percepção de que o homem está, de alguma maneira, acima da
mulher.
Por sua parte, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)
afirmou que a desigualdade é um dos grandes obstáculos que impedem o
avanço econômico e social de muitos países. Segundo dados dessa agência,
os países com maior desigualdade são Iêmen, República Democrática do
Congo, Níger, Afeganistão e Mali. Os mais igualitários são Holanda,
Dinamarca, Suécia, Suíça e Cingapura.
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