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Carreira de professores no Brasil o desinteresse é
geral
Ao contrário do que se via até o final da década de 1970, a figura do
professor na sala de aula não tem, hoje em dia, o mesmo prestígio de
antigamente. "Naquela época, ser professor era como ser médico, juiz ou
padre", afirma Roseli Souza, assessora pedagógica da divisão de sistemas
de ensino da editora Saraiva, sobre a autoridade máxima de quem ensinava
informações tão fundamentais como o alfabeto.

Apesar de todos os aspectos positivos que vieram com o fim da ditadura
militar no Brasil, Roseli diz que, nesse processo, os professores estão
perdendo gradualmente o poder e a autonomia na sala de aula. "Embora
tenha ocorrido uma manifestação da própria classe docente pela
democracia, alguma coisa se perdeu no caminho e não conseguimos reaver",
lamenta.
A desvalorização da profissão já pode ser vista em números. De acordo
com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep), a educação básica brasileira (que inclui a educação
infantil, a especial, o ensino fundamental, o médio e a educação de
jovens e adultos - o EJA), em 2007 havia 2.500.554 profissionais atuando
em sala de aula. No ano de 2009, esse valor baixou para 1.977.978.
Para Roseli, a causa é a desmotivação da categoria. "O próprio aluno já
não consegue se reconhecer nesse professor quando o vê desestimulado.
Outras vezes o estudante se interessa pela carreira, mas os pais
desestimulam", afirma. Entre os motivos estão os baixos salários,
desinteresse dos alunos e até episódios de violência.
Houve progressos, como plano de carreira e os Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN), que buscam garantir que todos os estudantes aprendam os
mesmos conteúdos independentemente da sua localidade e condição
financeira. Porém, ainda é um processo lento. "É necessário uma melhor
profissionalização, um código de ética e também é importante
desmistificar a figura do professor", diz Roseli.
"As pessoas acham que o magistério é um sacerdócio, como se ganhar pouco
fizesse parte da escolha de ser professor. Se um professor cobrar por
hora o que se cobra numa consulta médica, por exemplo, achariam um
absurdo. Mas as duas profissões exigem formação constante", afirma a
assessora pedagógica.
Outra questão que pode estar afugentando futuros mestres é a pouca
tecnologia que normalmente envolve a profissão. "A cada ano surgem novos
cursos, e essa nova geração está muito envolvida com tecnologia, então
procura empregos nessa área", opina. Assim, chegou o momento de o
docente repensar o seu papel, que ainda é fundamental, porém em outro
contexto. "Não é o aluno que deve se adaptar ao professor", diz.
O descaso também se da ao baixo salário, a falta de
segurança, falta de materiais e principalmente o baixo nível de educação
do Brasil.
Pedimos um momento de sua atenção.
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