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Alunos jogam bridge em escolas dos EUA
Quatro jogadores de bridge fitam suas cartas, tentando determinar qual
dupla faria o papel do chamado carteador e o morto. Então um dos quatro,
Max Plati, 8 anos, se desmancha em risadas ao falar para o garoto
sentado do outro lado: "você é o morto!".

A professora, Eleen Crowley-Bloss, lembra seus alunos da segunda série
que no bridge, o significado de "morto" é "parceiro silencioso". Ainda
mais incomum pode ser o jogo calado dos alunos e sua determinada
concentração, tudo sem o envolvimento de um aparelho eletrônico.
Xadrez ainda é um jogo preferido entre educadores, mas o bridge se
populariza em um número crescente de escolas, grupos comunitários e
centros recreacionais dos Estados Unidos. Muitos veem o jogo de cartas
oferecendo os benefícios mentais do xadrez, porém com um componente
social.
O distrito de Lakeland, no norte da cidade de Westchester County,
começou a ensinar bridge este ano como um meio de reforçar habilidades
de matemática e resolução de problemas, assim como socializar uma
geração de crianças criadas com passatempos solitários como jogar
videogames e escutar iPods. Agora, jardins da infância aprendem a
classificar naipes e números altos e baixos, enquanto alunos mais velhos
jogam em clubes de bridge e competem online em torneios virtuais.
Seus esforços para promover o bridge entre estudantes ajudou a reavivar
um jogo que alcançou uma popularidade nos anos seguintes à Segunda
Guerra Mundial e o redefiniu de um passatempo de lazer para os idosos
para um jogo feito para competições interescolares, nas quais jovens
jogadores competem por troféus, bolsas de estudo e o direito de se
gabar.
Em 2009, um garoto de 9 anos da Geórgia, Richard Jeng, tornou-se o
jogador mais novo a ganhar o título de campeão da Liga Americana de
Bridge, a maior organização de bridge do país; a média de idade dos 165
mil membros é de 67 anos. Espera-se que 300 jogadores jovens de alto
nível disputem no quarto ano do Campeonato de Bridge da Juventude
Norte-Americana, em Toronto, em julho, enquanto outras centenas jogarão
em torneios locais este ano.
"Ver alunos de sétima e oitava série se sentando e se concentrando por
três horas não acontece se não no bridge", disse Bud Brewer, cujo grupo
sem fins lucrativos, Reno Youth Bridge, presidiu um torneio em abril,
após ensinar o jogo a 160 alunos de 14 escolas públicas e três escolas
particulares em Reno e Sparks, Nevada.
Programas de bridge para jovens similares brotaram em mais de uma dúzia
de outras cidades, incluindo Atlanta; Raleigh, Carolina do Norte;
Pensacola, Flórida; Phoenix, Arizona, e Honolulu. A Atlanta Junior
Bridge, que foi criada por jogadores de bridge em 2006, ensinou o jogo a
1,7 mil alunos em aulas vespertinas e acampamentos de verão, e este ano
desenvolveu um currículo de matemática baseado no bridge que está sendo
lecionado em escolas como a Buford Middle nos subúrbios de Atlanta.
Leslie Markes, professora de matemática da oitava série em Buford,
lembra que alunos intrigados perguntaram no começo se iriam construir
pontes. Agora a aula de 30 minutos de bridge é tão popular que ela
precisa recusar alunos. "Queríamos ensinar-lhes matemática de um novo
jeito", disse ela. "Contudo não a anunciamos como 'venha ter aulas
extras de matemática'".
Os benefícios do jogo
Bridge é um jogo desafiador até para adultos, demandando estratégia e
memorização de regras complexas. Todavia, as evidências de seus
benefícios acadêmicos ainda são amplamente anedóticas. Um estudo de 2005
de Christopher C. Shaw, professor aposentado de administração e jogador
de bridge, descobriu que um grupo de alunos da quinta série jogadores de
bridge em Carlinville, Illinois, teve maiores ganhos em testes padrão do
que seus colegas de sala, mas estudiosos acadêmicos denominaram tais
descobertas limitadas e preliminares. Shaw está conduzindo um estudo de
bridge similar com alunos de Mount Pleasant, Iowa.
"Minha intuição diz que o bridge é uma ferramenta muito boa para
desenvolver pensamento crítico e raciocínio inferencial, e ainda lhes dá
uma habilidade recreacional para a vida", disse Shaw.
Bill Gates e Warren Buffett foram dissuadidos por sua própria
experiência, como jogadores de bridge, a garantir US$ 1 milhão em 2005
para promover o bridge em escolas. O dinheiro foi usado para ajudar a
criar a Liga Escolar de Bridge, programa que gerou interesse no jogo por
aulas introdutórias, torneios online e apresentações em conferências de
professores. Os esforços fracassaram, em parte porque escolas estavam
cortando programas, não aderindo a eles, e alunos acharam difícil
aprender o jogo com apenas um punhado de aulas.
Fundadores da Liga Escolar de Bridge eventualmente devolveram US$ 400
mil a Gates e Buffett em 2010. Entretanto, tentaram novamente no último
verão, reorganizando o programa sob a direção de Enith Berg, professor
aposentado e jogador de bridge. Estão tentando construir programas mais
compreensivos em menos distritos, começando com crianças mais novas e
uma versão mais simplificada do jogo, conhecido como mini-bridge. Desta
vez, o programa é dirigido com um orçamento modesto com doações de,
entre outros, Jon Sandelman, financiador de fundos de hedge, e David
Barger, executivo chefe da JetBlue, que doou 25 passagens aéreas,
algumas das quais usadas como prêmios em torneios.
Na cidade de Nova York este ano, a Liga Escolar de Bridge ajudou a
apresentar o jogo à Anderson School, escola municipal para estudantes
dotados e talentosos que ensina bridge a alunos da terceira série. A
escola também criou uma aula eletiva para alunos da escola secundária e
organizou um evento familiar de bridge em março. Outra escola, a Midtown
West, formou um clube de bridge para alunos de quarta e quinta série e u
grupo de bridge para pais.
"Diferentemente do xadrez, força alunos a colaborar juntos", disse Dean
Ketchum, diretor da Midtown West. "E estamos proporcionando uma
atividade acadêmica às famílias, que eles poderão compartilhar por toda
a vida".
Até escolas onde o dinheiro é curto tentam encontrar uma forma de
ensinar bridge. O distrito escolar de Orange Township, em Nova Jersey,
iniciou clubes de bridge para 30 alunos em duas escolas primárias no ano
passado, após um privilegiado programa de aulas de bridge ser eliminado
em cortes de orçamento. No próximo outono, o distrito planeja expandir
os clubes de bridge para outras duas escolas em resposta ao crescente
interesse.
George Stone, o superintendente do distrito de 6,2 mil alunos de
Lakeland, disse que decidiu apresentar o bridge em cinco escolas
primárias após conhecer seus benefícios com Berg, também seu vizinho.
Disse que espera expandi-lo para escolas secundárias e de ensino médio.
A Liga Escolar de Bridge, a qual financia o programa, gastou cerca de
US$ 5 mil em baralhos, materiais e instrutores de bridge para estudantes
e funcionários.
Stone não é um jogador. "Tentei aprender e não tive sucesso como nossos
alunos", disse ele. "Envolve regras, memorização, habilidades de
raciocínio, lógica e trabalho em equipe, é impressionante que crianças
possam se adaptar ao jogo tão rápido".
Recentemente na turma de Crowley.Bloss, os alunos de segunda séries
sentaram-se nas carteiras em grupos de quatro e calcularam pontos de
suas cartas, escrevendo problemas adicionais. Então os jogos começaram.
Max, lançando o olhar ao parceiro, baixou um ás para ganhar o lance.
"Apenas gosto de ganhar", afirmou Max, que também joga xadrez. "Bridge é
mais divertido que xadrez, porque você tem um parceiro para te ajudar se
você está em uma situação difícil".
Melhor que videogame
Na escola das proximidades, a Benjamin Franklin, uma sala de quinta
série revê regras de bridge e o vocabulário em uma projeção de
PowerPoint. Na tela está a pergunta: quando alguém consegue uma carta
mais alta que a sua, como isso se chama? (Resposta: trunfo, ou em
inglês, trump). "Pense em Donald Trump", disse a professora Annamarie
Conte aos alunos antes de reunirem suas cartas e sentarem para jogar.
"Parece que nos ensina matemática, mas gosto mais que matemática", disse
Jack Schwerner, 10 anos, que classificou o bridge como melhor que
videogame, mas não melhor que futebol.
Patricia McIlvenny, a diretora, afirmou que aulas com trabalho de equipe
e cooperação aprendidas em torno de uma mesa de bridge são tão
importantes quanto às aulas acadêmicas. "Você pode comunicar sua
estratégia para seu parceiro", disse. "Na verdade você tem que baixar o
celular e interagir em torno da mesa. É reintroduzir muitas habilidades
sociais que foram perdidas".
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