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Plano de Educação deve ficar para 2012 com quase 3 mil
emendas
O projeto de lei que criará o novo Plano Nacional de Educação (PNE),
enviado ao Congresso Nacional no fim de 2010, recebeu 2.919 emendas
parlamentares na comissão especial que analisa a matéria na Câmara. O
documento irá estabelecer 20 metas educacionais que o país precisa
cumprir até o fim da década. O relator da matéria, deputado Angelo
Vanhoni (PT-PR), tinha previsão de terminar o relatório em agosto, mas,
diante do número recorde de emendas, o texto deve ser concluído em
setembro.
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Depois da apresentação do
relatório, abre-se novo prazo para apresentação de emendas.
O presidente da comissão especial, deputado Gastão Vieira (PMDB-MA),
prevê que a tramitação do plano na Câmara seja concluída até
novembro, quando o texto será encaminhado ao Senado.
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Apesar de boa parte das emendas serem repetidas, a comissão discute com
o centro de informática da Casa a criação de um software que seja capaz
de classificá-las por tema para facilitar a análise por parte do
relator. Gastão defende que não deve haver pressa para aprovar o novo
PNE, apesar de o plano anterior ter perdido sua validade em dezembro de
2010 e o prazo de implantação do próximo ter começado neste ano.
"Todos os movimentos sociais queriam que o plano fosse aprovado o mais
rápido possível, mas essa pressão até já diminuiu um pouco. É um plano
que vai mexer com toda a estrutura da educação brasileira, não dá para
fazer dessa forma. Temos os problemas de financiamento, por exemplo, que
o próprio ministro não conseguiu dizer claramente qual será a solução",
explica Gastão.
A meta de número 20 do plano é uma das mais polêmicas: ela prevê que o
país amplie para 7% do Produto Interno Bruto (PIB) o percentual de
investimento público em educação - hoje esse patamar é em torno de 5%.
Boa parte das emendas querem alterar a meta para 10%, atendendo a uma
reivindicação das entidades da área.
Para a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila
Cruz, a questão do PIB é uma "ficção": não adianta determinar o aumento
dos investimentos se o plano não indicar quais serão as novas fontes de
recurso. "A participação é tão grande da apresentação de emendas, mas me
preocupo se de fato a gente vai ter um documento com as características
de um plano nacional, que não pode entrar no detalhe e querer determinar
políticas para estados e municípios, ele precisa ser mais macro",
afirma.
Ela avalia que o debate é importante e que todas as emendas precisam ser
avaliadas, mas defende que o próximo PNE precisa ser factível para que
não se repita o que ocorreu no plano anterior, quando a maioria das
metas foi descumprida.
"Eu adoraria ter metas com 100% das crianças aprendendo e 100% das
crianças na creche, é claro. Mas temos que entender que há um caminho
para chegar lá. O plano precisa ser ao mesmo tempo ambicioso e
factível", acredita.
Seguindo para o Senado em novembro, o PNE passará por uma nova rodada de
discussões em um ano de eleições municipais. "O PSDB, que é oposição, é
muito ativo no Senado, especialmente nos temas de educação. Também temos
que conciliar os anseios dos planos com os dos governadores e no Senado
há muitos ex-governadores. Ninguém aprova um documento com tanta
complexidade em um prazo curto", avalia Gastão.
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