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Sem aula há 83 dias, alunos estudam em casa em Minas
Gerais
Os prejuízos com a paralisação dos professores em Minas Gerais, que já
dura 83 dias, muitos pais têm procurado alternativas para que os filhos
não percam o ano letivo. Ricardo Balciunas, 45 anos, tem dois filhos na
rede pública do Estado. Os adolescentes, de 15 e 16 anos, estão no
primeiro e no segundo ano do ensino médio da Escola Estadual Maestro
Villa Lobos, que está parcialmente paralisada devido à greve. Enquanto
alguns professores já retornaram para as aulas do primeiro ano, o
segundo ano está completamente parado.

Quando a greve se agravou, Ricardo incentivou que eles estudassem em
casa para que o aprendizado não ficasse comprometido, mas decidiu por
mantê-los na escola. Segundo o advogado, "é muito difícil conseguir
transferência agora, no meio do ano. Tenho muita sorte dos meus filhos
não terem dificuldade com os estudos. Eles estão estudando em casa e
recuperando as matérias, mas isso desmotiva os meninos. Eles não sabem
como vai ser o ritmo quando voltar e como a matéria será dada. Corre o
risco de eles perderem o ano letivo", conta.
Ricardo afirma que sempre procura informações na escola sobre o fim da
greve, mas eles não apresentam uma previsão para o retorno das aulas. "A
gente entende que a reivindicação dos professores é justa, mas ela já é
um problema para os alunos. É um cabo de guerra de duas forças e ninguém
quer ceder", conclui.
Procura por escolas particulares aumentou
Outra alternativa buscada pelos pais é a transferência dos filhos para
escolas da rede particular. O Sindicato das Escolas Particulares de
Minas Gerais (Sinep-MG) aponta que desde o início da greve cerca de 5
mil alunos já pediram transferência para essas instituições. Segundo o
sindicato, a maioria destes alunos são do último ano do ensino médio,
que esperam concluir sua preparação para o Exame Nacional do Ensino
Médio (Enem). No caminho desta transferência estão obstáculos
financeiros, falta de vagas e dificuldade de adaptação.
O Colégio Helena Bicalho, no bairro São João Batista, região nordeste de
Belo Horizonte, recebeu várias ligações com pedidos de transferência
durante este período de greve. De acordo com o professor José de Sales
Bicalho, diretor do colégio, a maior procura foi para os últimos anos
dos ciclos - fundamental e médio -, porém não há mais vagas em nenhuma
destas séries.
Além disso, outro ponto que o diretor considera determinante para a
transferência é a capacidade do aluno em acompanhar a turma. "Vários
alunos que tentaram uma vaga no colégio não tinham essa capacidade e
infelizmente tivemos que recusá-los. Só aceito um aluno se for para o
bem dele. Um aluno que entra sem o conhecimento necessário acaba
reprovado", conta José Bicalho. Somente dois estudantes conseguiram
transferência para o colégio nesse período, um da sétima série e outro
do primeiro ano.
Negociações
O governador Antônio Anastasia se manifestou pela primeira vez a
respeito da greve dos professores na manhã desta segunda-feira. Segundo
o governador, o Estado está aberto para negociações, porém "essa
negociação deve ser feita de boa fé, com base na realidade da
responsabilidade fiscal e com base na possibilidade de pagamento do
Estado. Aliás, vivemos hoje, no Brasil e no mundo, um momento de atenção
com a crise econômica que se avizinha", disse.
O governador anunciou que diversas medidas serão adotadas pela
Secretaria de educação para evitar os prejuízos dos alunos. Segundo
Anastasia, já foram contratados professores substitutos para o terceiro
ano do ensino médio, para evitar prejuízos por causa do Enem. Os alunos
também vão receber reforço por meio de aulas ministradas pela rede
pública TV Minas.
Os professores reivindicam o cumprimento imediato do Piso Salarial
Profissional Nacional (PSPN). Na última quinta-feira, o Supremo Tribunal
Federal (STF) regulamentou a lei que criou o piso, que determina que
nenhum professor da rede pública com formação de nível médio e carga
horária de 40 horas semanais pode ganhar menos que R$1.187. Segundo o
sindicato dos professores, o piso salarial do Estado é de R$ 369.
Na próxima quarta-feira, às 14h, os professores farão uma nova
Assembleia Estadual para decidirem qual o futuro do movimento.
Novo sistema de governo (inventado), é (Apolítico). Se
deseja um Brasil justo sem roubalheiras de políticos,
sem destruição do meio ambiente, de o seu apoio no site
abaixo.
http://sfbbrasil.org
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