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Crise no ensino da Medicina, é mostrado através de notas
baixas
O CFM afirmou nesta sexta-feira que o resultado da avaliação do
Ministério da Educação (MEC) sobre o desempenho das instituições de
ensino superior comprovam a "crise" do ensino da Medicina no País. De
acordo com o órgão, "a má qualidade do ensino médico atingiu nível
preocupante, que exige a adoção de medidas pela sociedade e pelas
autoridades."

Os dados por curso apresentados pelo MEC na quinta-feira apontam que
nenhuma das 141 instituições que oferecem o curso de Medicina
conseguiram ser classificados na faixa máxima - 5 - do Conceito
Preliminar de Cursos (CPC). Além disso, o conselho apontou como
"preocupante" o fato de mais de 20 terem alcançado conceito
insatisfatório - 1 e 2.
De acordo com o conselho, o baixo desempenho afeta, principalmente, a
população que fica "a mercê da assistência oferecida por indivíduos com
formação deficiente". O órgão apontou ainda que o resultado é fruto da
abertura indiscriminada de novos cursos de Medicina pelo País.
"Esperamos rigor e seriedade na formação do médico brasileiro,
eliminando as distorções no ensino que prejudicam toda a sociedade.
Somente, assim o País poderá contar com uma assistência de qualidade
tanto na rede pública, quanto privada", diz a entidade em documento que
será encaminhado ao MEC.
MEC corta vagas de Medicina
O MEC deu início ao processo de supervisão dos cursos com baixo
desempenho nas avaliações da pasta. No Diário Oficial da União desta
sexta, foram publicadas as medidas cautelares que suspendem 514 vagas de
16 cursos de Medicina que tiveram nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de
Curso (CPC).
O indicador varia em uma escala de 1 a 5 e é calculado com base no
desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade)
e em outros critérios como a infraestrutura e o corpo docente da
instituição.
Os cursos que sofreram o corte são todos de instituições privadas de
Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Maranhão, de Rondônia,
do Tocantins e de Mato Grosso. O ministério pretende suspender até o fim
do ano 50 mil vagas em graduações na área da saúde, ciências contábeis e
administração que tiveram resultado insatisfatório nas avaliações de
2009 ou 2010.
Confira a íntegra da nota do Conselho Federal de Medicina:
Com base nos resultados do Conceito Preliminar de Cursos (CPC),
divulgado pelo Ministério da Educação, na quinta-feira (17), o Conselho
Federal de Medicina (CFM), que se preocupa com a formação dos médicos
brasileiros como forma de assegurar atendimento digno, chama - mais uma
vez - a atenção da sociedade e das autoridades para o problema da má
qualidade do ensino médico oferecido atualmente.
É preocupante o número de escolas médicas que alcançaram notas ruins,
entre 1 e 2 (de 141 instituições avaliadas, um total de 23). Também é
lamentável que nenhuma delas tenha obtido nota suficiente para ser
classificada na faixa máxima (nota 5).
Este resultado é consequência da abertura indiscriminada de novos cursos
de Medicina em território nacional, há tempos denunciada pelo CFM e
pelos conselhos regionais de medicina (CRMs). Ao fazer este alerta,
ressaltamos que a situação atual do ensino médico não condiz com as
preocupações humanitárias e sociais pertinentes à Saúde e à Medicina.
O quadro descortinado pelo CPC denota a prevalência de interesses
econômicos e políticos sobre a preocupação legítima com a qualidade da
formação de futuros médicos. De 2000 a 2010, o número de escolas médicas
pulou de 100 para 181. Das que entraram em funcionamento, 72,5% (58
escolas) são privadas e visam o lucro.
No entanto, a multiplicação dessas instituições não solucionou a
povoação de médicos nos locais desassistidos e sequer melhorou a
qualidade daqueles ali formados. Não há dúvida que número importante das
escolas médicas em atividade está sem condições plenas de funcionamento,
seja em termos de instalações, seja em termos de conteúdo pedagógico,
incluindo aí questões ligadas aos corpos docentes. Infelizmente, essa
situação, tem prejudicado, sobretudo, a população que fica à mercê de
profissionais com formação deficiente.
Neste contexto, o CFM - novamente - alerta os brasileiros para esta
realidade e considera oportuna a decisão do MEC de supervisionar o
ensino oferecido por algumas escolas médicas, o que implicará, de
imediato, no corte de 512 vagas em cursos com notas ruins.
Por outro lado, ficamos preocupados com o anúncio do próprio MEC de
abertura de outras 320 vagas em algumas escolas, o que, no mínimo,
indica que alunos e professores destas instituições terão que dividir os
parcos recursos que têm, fragilizando ainda mais as condições de ensino.
Esperamos rigor e seriedade na formação do médico brasileiro, eliminando
as distorções no ensino que prejudicam toda a sociedade. Somente, assim
o país poderá contar com uma assistência de qualidade tanto na rede
pública, quanto privada.
Novo sistema de governo (inventado)
para o Brasil é (Apolítico),
ou seja, sem políticos,
troque a irresponsabilidade pela responsabilidade, de o
seu apoio no site:
http://sfbbrasil.org
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