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A cada empregado
o custo para empresa é quase 3 vezes o salário
O custo de um
trabalhador para a empresa pode ser de 2,83 vezes
seu salário de carteira, de acordo com estudo
divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta
quarta-feira. O gasto é decorrente não só de
impostos, mas de um conjunto de obrigações
acessórias, como benefícios negociados, burocracia e
até gestão do trabalho.
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A
pesquisa foi feita com duas empresas do
setor têxtil de São Paulo e Santa Catarina.
Segundo o estudo, um funcionário que recebe
salário de R$ 730 com vínculo trabalhista de
12 meses pode custar para a empresa, R$
2.067,44 por mês. Se o tempo de contrato
subir para cinco anos, o valor mensal cai
para R$ 1.858,89. |
O custo do trabalhador para a empresa pode ser
dividido em três grupos. Além do próprio salário, o
trabalhador tem uma "valoração", de acordo com o
professor André Portela Souza, coordenador do Centro
de Microeconomia e um dos autores da pesquisa. "Ele
recebe benefícios, como 13º salário, adicional de
férias, vale transporte e o próprio tempo de
treinamento", afirma. Segundo Portela, o empregado
recém-contratado leva até três meses para alcançar
seu nível máximo de produtividade - e tudo isso
reflete no gasto da empresa.
Além disso, há custos de compensação do empregado,
como FGTS, INSS, aviso prévio indenizado e multa
FGTS sobre o salário, em caso de demissão, e
benefícios de negociação coletiva, como
auxílio-creche e cesta básica. Em outro grupo, os
pesquisadores reuniram impostos e encargos
trabalhistas e, principalmente, custos gerenciais.
"Computamos um gasto enorme de simplesmente
administração de pessoal. Não é um custo exigido
pela legislação trabalhista, mas ela é tão complexa
que é necessário um investimento grande nisso",
afirma Vladimir Ponczek, coautor do estudo.
Outros setores
Por ter sido feito com base no setor têxtil, os
valores devem ser transpostos para outras áreas com
cautela, alerta Portela. "O custo do trabalho
brasileiro varia conforme o setor e a localidade",
diz ele. Mas o modelo de discriminação dos gastos
pode ser aplicado independentemente da área.
"Podemos ver que o custo da legislação trabalhista,
para um trabalhador que receba R$ 730 por mês, é de
R$ 909. Isso representa 44% do custo total que a
empresa tem para contratá-lo", explica Portela. Os
altos encargos junto com uma baixa produtividade são
uma combinação "venenosa" para a produtividade,
segundo ele.
Segundo Vladimir Ponczek, os dados da pesquisa podem
contribuir para "racionalizar" o processo de
produção. "De forma que fossem mantidos os mesmos
benefícios ao trabalhador, mas sem ter tanto gasto
para a empresa", disse ele. "Nossa ideia é, com a
informação, ajudar a organizar esse debate, tanto
para o setor público, quanto para o privado",
completou Portela.
Com informacoes Fundação Getulio Vargas
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