Explosão misteriosa
reforçou brilho de estrela
Anne Minard
As estrelas estão equipadas de camadas como as múltiplas
peles de uma cebola, e essas camadas se destacam delas
em explosões ferozes antes do golpe final, e mortífero -
uma supernova -, que as transforma em buracos negros, de
acordo com uma nova teoria sobre a morte de estrelas.
Essas explosões repetitivas são poderosas demais para
que a causa sejam os ventos estelares, como se
acreditava anteriormente, de modo que devem provir de
uma nova espécie de explosão originada no interior da
estrela, dizem os astrônomos.

A teoria foi proposta recentemente em um estudo
comandado por Nathan Smith, astrônomo da Universidade da
Califórnia em Berkeley.
Usando telescópios de base terrestre, Smith decidiu
observar de mais perto a Nebulosa de Homunculus, formada
por material ejetado durante a explosão da Eta Carinae,
a mais luminosa estrela da Via Láctea, que se localizava
naquele quadrante espacial e explodiu em 1843. A
explosão causou um ganho súbito e misterioso de brilho
na estrela.
Na nebulosa, Smith localizou novos fachos de gás de
velocidade mais alta - rápida demais para que seja
possível propor os ventos estelares como explicação.
"Ainda não sabemos qual é o mecanismo que daria início à
explosão, para começar", disse Smith, "mas ao menos
agora sabemos que aconteceu uma explosão que temos de
explicar". O novo estudo foi publicado pela revista
Nature.
O dobro da potência
Os pesquisadores já haviam observado explosões não
fatais em outras estrelas em estágio avançado de sua
existência. Ocasionalmente conhecidas como "supernovas
impostoras", suas explosões são ainda menos
compreendidas que as das supernovas.
Usando dois telescópios no Observatório Inter-Americano
de Cerro Tololo e do Observatório Internacional Gemini,
no Chile, Smith observou uma vez mais a Nebulosa de
Homunculus e outra casca de material ejetado, cuja idade
é estimada em cerca de mil anos.
A maior parte do material ejetado pelas duas detonações
está se deslocando a velocidades baixíssimas, da ordem
de 2,4 milhões de quilômetros por hora (ou 1.040
quilômetros por segundo). Mas os filamentos de gás que
Smith acaba de descobrir estão se movendo muito mais
rápido, e começam a se aproximar do material ejetado na
explosão de mil anos atrás. A descoberta potencialmente
duplica a potência da erupção da Eta Carinae.
Sem novidade?
Douglas Currie, astrofísico da Universidade de Maryland
em College Park, reportou alguns jatos de gás de alta
velocidade em Homunculus já em 2002, mas diz que a
velocidade informada pelo novo estudo é
significativamente maior - possivelmente o dobro - do
que havia sido constatado anteriormente.
Ele não concorda em que a teoria de Smith represente
inovação, porque outros pesquisadores já haviam
desconfiado de causas diferentes do vento estelar para o
movimento em alta velocidade de gases.
"Eu diria que se trata de uma nova e forte prova que
demonstra que a explosão em questão foi de um tipo
diferente", ele afirmou.
Mas Smith, o líder do projeto, disse que as velocidades
descritas anteriores ficavam no limite extremo do que
poderia ser produzido pelos ventos estelares, e que as
novas velocidades, ainda que apenas ligeiramente mais
rápidas, engendram novas questões.
Ele disse que os resultados "podem alterar nossa
interpretação quanto ao acontecido no evento de 1843, e
o que isso acarreta para nossa compreensão das estrelas
mais maciças".
"Isso significa essencialmente, que ainda não
compreendemos plenamente o que acontece no interior
profundo das estrelas maciças pouco antes de sua
extinção", ele afirmou.