Europa lança projeto de
megalaser de fusão nuclear
Um programa para produzir
energia em abundância por meio de fusão nuclear e sem
poluir o ambiente, usando um jato de laser colossal do
tamanho de um estádio de futebol, teve início na Europa.
O laser extrairá a energia ao comprimir átomos de
hidrogênio - um processo muito semelhante ao que ocorre
no Sol.
A Europa já está investindo no projeto de fusão Iter,
que busca atingir o mesmo objetivo, porém usando
compressão magnética. O novo programa, batizado de Hiper
(sigla em inglês de Pesquisa de Energia Laser de Alta
Potência) , é visto como uma alternativa necessária e
complementar ao primeiro projeto.
"Temos duas abordagens por causa do prêmio que está lá -
energia de fusão é o Santo Graal das fontes de energia",
diz o chefe do Hiper, Mike Dunne. "Esse processo oferece
segurança no suprimento de energia porque o combustível
vem da água do mar, oferece suprimentos abundantes, é
limpo e seguro", acrescenta o pesquisador.
"Então, o prêmio é enorme, e acreditamos que precisamos
de tantas abordagens quanto possíveis para tornar esse
prêmio uma realidade."
Desafio
O desafio técnico de fazer a energia de fusão se tornar
realidade é, no entanto, enorme, e tentativas de
encontrar uma solução viável tem deixado os cientistas
frustrados há 50 anos. O projeto Hiper vem sendo
financiado pela Comissão Européia e envolve a
participação de 26 instituições de dez países. A
Grã-Bretanha, a República Checa e a França estão entre
os mais ativos.
A intenção é resolver questões práticas para a
construção de um laboratório experimental para
demonstrar a chamada energia por fusão inercial
confinada. Um laser de alta potência comprimiria o
hidrogênio para conseguir uma densidade 30 vezes maior
do que a do chumbo. Um segundo laser aumentaria a
temperatura do hidrogênio comprimido para acima de 100
mihões de graus Celsius.
Nessas condições, os núcleos do hidrogênio se fundiriam
para formar hélio. Segundo a teoria, uma pequena
quantidade de massa seria perdida e uma quantidade
colossal de energia seria liberada. "Imagine o motor de
um carro", descreve Dunne. "Primeiro, você injeta o
combustível (hidrogênio) e, então, no motor do carro, um
pistão vai comprimir o combustível."
"No nosso caso, usamos um grande laser para comprimir
nosso combustível de fusão", acrescenta. "Então, como no
motor do carro, você tem uma vela que acende o
combustível." "Também usamos uma vela, mas, no nosso
caso, usamos um outro laser - um laser de potência muito
alta, um laser de pulso muito curto. Depois você repete
o ciclo várias vezes - exatamente como no motor do seu
carro."
Laboratórios
A "prova do princípio" da fusão laser é aguardada nos
próximos anos, baseada em dois lasers de grande escala
que estão quase prontos - na National Ignition Facility,
na Califórnia (Estados Unidos), e na Laser Megajoule, em
Bordeaux, na França. Espera-se que esses laboratórios
mostrem em eventos separados que mais energia pode
resultar do processo do que a necessária para iniciá-lo.
O papel do Hiper vai ser demonstrar os aspectos práticos
e técnicos da exploração do princípio, ou seja, como
transformar estes eventos separados em um ciclo contínuo
que tornará usinas comerciais de energia uma realidade.
Na semana passada, a documentação legal foi assinada
para iniciar a fase atual do Hiper. O projeto está sendo
financiado com 13 milhões de euros em dinheiro vivo e
aproximadamente 50 milhões de euros em assistência
material - fornecimento de hardware e de especialistas
dos países membros.
Se tudo der certo, os estudos de praticabilidade vão ser
sucedidos por um período de criação de protótipos,
seguido pela construção de uma unidade de demonstração
por volta do final da próxima década. Os prazos
envolvidos não são diferentes dos de um outro tipo de
fusão que está sendo pesquisada pelo Iter (sigla em
inglês de Reator Experimental Internacional
Termonuclear), em construção em Cadarache, na França.
O Iter vai tentar obter a fusão a partir de um volume de
gás superaquecido confinado por campos magnéticos em um
instrumento em forma de rosca.