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Pesquisadores colocam medicina alternativa à prova
 

Mais de 80 milhões de adultos nos Estados Unidos utilizam alguma forma de medicina alternativa, de acordo com estimativas - de ervas e megavitaminas a ioga e acupuntura.

Mas embora alegações de eficiência ambiciosas sejam feitas com relação a esses tratamentos, provas científicas quanto a eles muitas vezes ficam muito para trás. Os estudos e testes clínicos, quando existem, podem ser projetados de maneira ineficaz e conduzidos em escala pequena demais para propiciar percepções confiáveis.

Agora o governo federal está trabalhando com afinco para elevar os padrões de prova, em um esforço por distinguir o que é efetivo do que é inútil e até mesmo perigoso.

"As pesquisas vêm realizando firmes progressos", disse a Dra. Josephine Briggs, diretora do Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa, uma divisão do Instituto Nacional de Saúde. "É relativamente novo o uso de métodos rigorosos para estudar essas práticas de saúde".

A necessidade de rigor pode causar choque. Por exemplo, um estudo da Universidade Harvard em 2004 identificava 181 trabalhos de pesquisa acadêmica sobre a ioga como terapia, e eles reportavam que a prática podia ser usada no tratamento de gama impressionante de problemas - entre os quais asma, doenças cardíacas, hipertensão, depressão, dor nas costas, bronquite, diabetes, câncer, artrite, insônia, doenças pulmonares e pressão alta.

Mas na verdade apenas 40% do estudos utilizavam testes controlados aleatórios, que são o método usual de estabelecer conhecimento confiável quanto à segurança e efetividade de um remédio, doença ou outra forma de intervenção. Em testes como esses, os cientistas designam pacientes aleatoriamente para o grupo de tratamento e o grupo de controle, de maneira a eliminar distorções relacionadas ao comportamento dos profissionais médicos e dos pacientes.

Sat Bir Khalsa, autor do estudo e pesquisador do sono na escola de medicina de Harvard, afirma que uma complicação adicional era o fato de que "a maioria desses estudos tem escala pequena demais", com 30 ou menos participantes, em média, para cada grupo no teste aleatório. Quanto menor a dimensão da amostra, maior o risco de erro, incluindo falsos positivos e falsos negativos.

Os críticos da medicina alternativa não demoraram a aproveitar essa conclusão. R. Barker Bausell, especialista em metodologia de pesquisa na Universidade de Maryland e autor de um livro sobre trapaças científicas, diz que estudos pequenos muitas vezes envolvem um conflito de interesses inerente: precisam demonstrar resultados favoráveis de modo a valer aos pesquisadores as verbas necessárias a trabalhos maiores.

"Todas essas coisas conspiram para produzir falsos positivos", disse Bausell em entrevista. "E tornam os resultados extremamente questionáveis".

Essa espécie de incerteza é o que Briggs e o Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa, que este ano dispõe de orçamento de US$ 122 milhões, estão tentando eliminar. Os testes conduzidos pela organização tendem a ser maiores e mais longos e, se um tratamento parece promissor, o centro amplia os testes a outras instituições, o que reduz ainda mais a possibilidade de falsos positivos e de distorções causadas pelas inclinações dos pesquisadores.

Por exemplo, o centro está conduzindo um grande estudo para determinar se extratos da árvore de gingko biloba podem retardar o avanço do Mal de Alzheimer. Os testes clínicos envolvem centros de pesquisa na Califórnia, Maryland, Carolina do Norte e Pensilvânia, e recrutaram mais de três mil pacientes, todos com mais de 75 anos de idade. Esse estudo deve ser concluído no ano que vem.

Outro grande estudo envolve 570 participantes e pretende determinar se a acupuntura alivia dores e melhora as funções de pessoas que sofrem de osteoartrite do joelho. Em 2004, resultados positivos foram reportados. O Dr. Brian Berman, diretor do estudo e professor de medicina na Universidade de Maryland, afirma que a pesquisa "estabelece que a acupuntura serve como complemento efetivo aos tratamentos convencionais de artrite".

Na entrevista, Briggs disse que outra boa maneira de melhorar os testes clínicos seria introduzir uniformidade de produtos, especialmente nos tratamentos com ervas. "Sentimos que realmente influenciamos os padrões", ele diz.

Ao longo dos anos, os laboratórios constataram que até 75% das amostras de gingko biloba em uso não apresentavam o nível suposto de ingrediente ativo. Os cientistas envolvidos em testes clínicos têm forte incentivo a eliminar esse tipo de inconsistência.

Briggs diz que investimentos como esses provavelmente dariam retorno no futuro ao documentar benefícios reais pelo menos para alguns dos tratamentos não ortodoxos. "Acredito que à medida que a sensibilidade de nosso processo de mensuração avance, faremos um trabalho melhor na detecção desses efeitos pequenos mas importantes", em termos de prevenção e cura de doenças, afirmou.

Uma questão em aberto é determinar se a nova tendência se sustentará. O alto custo de um bom teste clínico, que pode chegar aos milhões de dólares, significa que relativamente poucos são realizados no campo das terapias alternativas, e relativamente poucas das alegações extravagantes sobre elas são avaliadas com atenção.

"Vivemos um momento de verbas escassas, e isso dever se agravar ainda mais", disse Khalsa, que está conduzindo um teste clínico para determinar se ioga é capaz de combater a insônia. "O problema é grande. As verbas são difíceis de obter, e a ênfase ainda está na medicina convencional, na pílula ou procedimento mágico que vai pôr fim a todas essas doenças".

 

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