Desenvolvido teste
universal de doenças genéticas
Cientistas britânicos
disseram que um novo teste de mapeamento genético, que
pode estar disponível já no ano que vem, poderá revelar
aos futuros pais que estão tentando ter um bebê por
inseminação artificial se o embrião, antes de ser
implantado no útero, é portador de praticamente qualquer
doença hereditária.
A equipe do instituto de pesquisas Bridge Centre de
Londres afirma que o teste de 1,5 libras (cerca de R$
5,7 mil) poderia detectar em algumas semanas quase todas
as cerca de 15 mil doenças hereditárias que existem.
Os testes atualmente disponíveis demoram muito mais
tempo para ficarem prontos e são capazes de descobrir a
existência de apenas 2% dessas doenças.
"Uma das principais vantagens para o paciente é que,
muitas vezes, não há um teste para uma condição
específica. Este é um teste único - um método
universal", disse à BBC o professor Alan Handyside, que
desenvolveu o teste.
Questões éticas
Na técnica, chamado karyomapping, uma célula é retirada
de um embrião de oito dias de idade criado seguindo a
técnica de fertilização in vitro. Amostras de DNA são
retiradas dos pais e avós do embrião e, em geral, de
outro integrante da família, como alguém que é portador
de uma doença hereditária.
O DNA de todos eles é comparado, com análise de 300 mil
marcações específicas, que permitem que os cientistas
criem um mapa genético da família.
Isso significa que os cientistas podem, por exemplo,
identificar se existe um bloco de DNA que foi repassado
pelo avô paterno para o embrião.
Câncer
Handyside disse que, além de verificar sinais associados
a doenças hereditárias, o teste pode ser usado para
detectar o perfil genético da pessoa, determinando o
grau de suscetibilidade de condições como doenças
cardíacas ou câncer.
O teste ainda está sendo desenvolvido no Bridge Centre.
Quando ele for concluído, Handyside quer submetê-lo à
autoridade britânica que trata de fertilidade humana e
embriões, para colocar a técnica no mercado.
O diretor da Sociedade Britânica de Fertilidade, Mark
Hamilton, disse que a descoberta é animadora, por sua
eficiência e eficácia, mas ressaltou que há questões
éticas envolvidas no uso da técnica.
Teoricamente, o teste poderia revelar informações sobre
a cor dos olhos, altura e peso da futura criança,
levantando à possibilidade de que os país possam
"projetar" seus filhos, com características físicas
específicas.
"Obviamente, a pergunta ética é: se você pode testar
para tudo, onde nós vamos estabelecer um limite?",
questionou Hamilton.