Ar menos poluído daria
mais 2 meses de vida a mexicanos
Os mexicanos poderiam
viver dois meses a mais se respirassem um ar mais limpo,
informaram ontem pesquisadores americanos da
Universidade de Harvard à agência AP. Um relatório
apontou que a vida de 7,6 mil pessoas foi encurtada por
doenças oriundas da poluição atmosférica entre 2001 e
2005, alcançando 1,6% no índice anual de mortalidade no
México.
A expectativa média de vida - 72,3 anos para os homens e
77,8 para as mulheres - seria maior em 2,4 meses se o ar
tivesse uma qualidade melhor nas zonas urbanas,
explicaram os cientistas em artigo divulgado na revista
Proceedings da Academia Nacional de Ciências. Gretchen
Stevens, Rodrigo Dias e Majid Ezzati, da Iniciativa
Harvard para a Saúde Global, utilizaram declarações de
óbito e dados de monitoramento da qualidade do ar para
calcular o número de mortos por doenças como câncer de
pulmão, enfermidades cardiopulmonares e infecções
respiratórias.
Conforme a AP, os pesquisadores também estudaram os
efeitos causados pelo uso de combustíveis sólidos, como
o carvão e a madeira, e a falta de saneamento básico nos
índices de mortalidade de famílias mexicanas. Entre 2001
e 2005, cerca de 3 mil pessoas perderam a vida
anualmente devido às enfermidades associadas ao uso de
água suja, enquanto outras 3,6 mil morreram por causa de
combustíveis sólidos. No primeiro caso, a expectativa de
vida diminuiu em um mês, e no segundo, em 1,2 meses.
A combinação destes efeitos matou 14 mil pessoas por ano
ou 3% de todas as mortes do México. Os pesquisadores
estimaram ainda que os mexicanos viveriam quase cinco
meses mais se todos estes problemas ambientais fossem
resolvidos.
No entanto, o estudo constatou que, embora a poluição do
ar afete de maneira semelhante os mexicanos de todas as
classes sociais, um número maior de pessoas que vivem em
comunidades pobres estão expostas aos efeitos dos
combustíveis sólidos e à falta de água tratada.