Mulher de 1º transplante
facial diz que não se reconhece
Três anos após ter recebido o primeiro transplante
parcial de rosto no mundo, a francesa Isabelle Dinoire
disse em uma entrevista à TV que seu rosto "é de outra
pessoa" e que ela esperava "se parecer mais com ela
mesma".
"Não sou eu, não é ela (se referindo à doadora), é uma
outra pessoa", disse Dinoire em uma entrevista ao canal
de TV NT1, transmitida na noite de segunda-feira.
Essa foi a primeira entrevista na TV concedida por
Dinoire desde 2006, um ano após o transplante, quando a
equipe médica que a operou quis mostrar os resultados da
cirurgia pioneira.
"Na realidade, para mim, há uma parte minha e uma parte
dela", afirmou, se referindo novamente à doadora.
Com uma dicção já normal, Dinoire afirmou considerar que
somente sua testa, as laterais das bochechas e a parte
inferior do maxilar, junto ao pescoço, são realmente
dela e que o restante é de outra pessoa.
Na entrevista concedida há dois anos, ela tinha muita
dificuldade para tentar articular palavras.
"No início, haviam me explicado que seria como se
tivessem colocado um lençol sobre meu rosto e eu pensei
que depois eu pareceria comigo antes", afirmou ao canal
NT1.
Vida nova
Dinoire também disse viver uma nova vida. "É preciso se
acostumar, se adaptar ao novo rosto. Não é como os
outros transplantes", disse.
Dinoire recebeu, em novembro de 2005, um novo nariz,
boca e queixo e parte de suas bochechas, após ter sido
desfigurada por seu cachorro.
Antes de ser atacada, ela havia tentado se suicidar e
havia ingerido uma grande quantidade de soníferos. Por
isso, não reagiu à agressão.
Em uma entrevista concedida em outubro passado a uma
rádio francesa, Dinoire havia dito, no entanto, que ela
havia se adaptado ao novo rosto e o considerava como
sendo seu.
"Ele faz parte de mim, mas é o meu", havia dito Dinoire
há cerca de duas semanas. "Quando acordo e me olho no
espelho, vejo algo bonito. É verdade que, no começo, foi
difícil."
Dinoire afirmou não sentir mais dores e disse ter feito
muita fisioterapia "para ativar todos os músculos" e que
recuperou a sensibilidade em relação a objetos frios e
quentes.
A francesa também disse esperar que o transplante de
rosto "não seja um assunto tabu" e que deseja incitar
outras pessoas a refletirem sobre a questão.