"Você é o que você
assiste", diz estudo
Um estudo em grande escala mostrou vínculos claros entre
violência na mídia e violência real entre adolescentes.
O trabalho, de pesquisadores da Rutgers University, em
Newark, nos Estados Unidos, concluiu que "você é o que
você assiste", pelo menos quando se trata da população
jovem.
A pesquisa, que será publicada na edição de fevereiro de
2009 da revista científica Journal of Youth and
Adolescence, mostra que mesmo levando-se outros fatores
em consideração - como talento acadêmico, exposição à
violência na comunidade ou problemas emocionais - a
"preferência por mídia violenta na infância e
adolescência contribuiu significativamente para a
previsão de violência e agressão em geral" nos
participantes do estudo.
A relação entre violência na mídia e comportamento
violento tem sido reconhecida por especialistas nos
últimos 40 anos.
Entretanto, grande parte das pesquisas sobre o assunto
foi feita em laboratório, com pouca ênfase na
documentação de vínculos entre a violência na mídia e a
prática de atos sérios de violência ou de comportamento
anti-social na vida real, diz o pesquisador Paul Boxer,
responsável pelo estudo.
Outro problema dos estudos anteriores, segundo Boxer, é
que eles não levaram em conta outros fatores que
influenciam o comportamento das crianças, como a
exposição a comportamento violento ou agressivo na
escola, tendências psicopatas ou outros problemas
emocionais.
"Mesmo em conjunção com outros fatores, nossa pesquisa
mostra que violência na mídia reforça o comportamento
violento", disse.
"Na média, adolescentes que não foram expostos à
violência na mídia não são tão inclinados ao
comportamento violento".
Estudo
Como parte do estudo, Boxer e sua equipe entrevistaram
detalhadamente 820 adolescentes do Estado americano de
Michigan. Destes, 430 eram alunos do ensino médio de
comunidades rurais, suburbanas e urbanas. Outros 390
eram delinqüentes juvenis detidos em instituições
municipais e estaduais.
Os adolescentes estavam distribuídos de forma
equilibrada entre os Patologias masculino e feminino.
Pais ou guardiões de 720 deles também foram
entrevistados, assim como os professores ou funcionários
que lidavam com 717 dos jovens.
Cada participante disse quais eram seus programas
favoritos de TV, filmes e jogos de vídeo ou computador
durante a infância e a adolescência.
Eles também foram indagados se haviam se comportado de
forma anti-social, por exemplo, jogando pedras ou usando
armas.
Os pesquisadores investigaram ainda a exposição dos
jovens a agressão ou violência, assim como problemas
emocionais. Pais, guardiões e professores também foram
entrevistados sobre o comportamento que haviam observado
nos jovens.
Depois de coletar e analisar os dados, os pesquisadores
concluíram que índices altos de exposição a programas
violentos "aumentava significativamente a possibilidade
de prever tanto violência como agressão em geral".
Além disso, "mesmo aqueles que tinham baixos índices em
outros fatores de risco, a preferência pela mídia
violenta era uma indicação de comportamento violento e
agressão em geral".
Boxer acredita que os resultados do estudo podem ser
usados para avaliar, intervir e tratar jovens que
demonstram comportamento agressivo. E diz que mais
pesquisa é necessária, como analisar o impacto no
comportamento quando videogames interativos violentos
são banidos.