Ambientalista alerta para extinção de macacos
Um dos maiores ambientalistas do mundo, Richard Leakey,
alertou hoje para o perigo de extinção dos grandes
macacos, os primatas mais próximos do homem. Segundo
Leakey, paleontólogo e atual presidente da organização
Wildlife Direct, os símios de todo o mundo são expostos
aos efeitos combinados da caça, das doenças e do
desmatamento.
O uso crescente de biocombustíveis constitui um perigo a
mais, já que aumentou a pressão para o desmatamento das
florestas tropicais, habitat natural desses animais,
explica Leakey, citado pelo jornal inglês The Guardian.
Os especialistas advertem que o consumo cada vez maior
de combustíveis alternativos pode significar o
desaparecimento, em uma geração, dos 50 mil macacos que
ainda sobrevivem.
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Leakey, que ficou muitos anos à frente do serviço de
proteção à fauna do Quênia (país onde nasceu em 1944),
reiterará hoje sua advertência em uma palestra na Royal
Geographical Society, de Londres. Segundo o zoólogo e
paleontólogo, a atividade humana é diretamente
responsável pela morte de milhões de gorilas, chimpanzés
e outros símios no mundo todo.
Aproximadamente 80% do habitat dos orangotangos no
Sudeste Asiático foi arrasado nos últimos 20 anos pela
demanda crescente de terreno para produzir óleo de palma
destinado aos mercados tropicais. Leakey fez um apelo
aos políticos que preparam um novo tratado internacional
para regular as emissões de CO2 para que se concentrem
mais nos incentivos para conservar as florestas
tropicais do Sudeste Asiático, da África, da América
Central e da América do Sul.
Segundo o paleontólogo, a luta contra o desmatamento
serviria ao mesmo tempo para limitar o efeito estufa e
conter a extinção dos símios. Leakey, que patrocina um
programa da ONU para a sobrevivência dos grandes
primatas, reivindica soluções mais imaginativas, como os
créditos à conservação da biodiversidade e os habitats
da vida selvagem que um país poderia vender a outros
para "compensar" suas próprias emissões de CO2.
"Parece que custa muito mais conservar a beleza natural
que gastar £ 80 milhões em um Picasso e uma fortuna em
persegui-lo", critica. Leakey insiste que os países em
desenvolvimento devem assumir sua cota de
responsabilidade no aquecimento global, sobretudo no que
diz respeito ao desmatamento.
"Não acho que o Quênia possa relaxar no fato de ser um
país jovem e que, como antes nos exploraram, agora têm
que nos conceder um respiro. É preciso olhar o efeito
que todos temos no planeta", explica. Leakey critica o
chamado "ecoturismo" - palavra que, para ele, encerra
uma contradição porque não há turismo ecológico, e sim
"uma corrida desesperada para fazer dinheiro enquanto
puder".
EFE