Fêmea de peixe africano escolhe parceiro pela
eletricidade
No rio Congo, África, existe uma espécie de peixe cuja
escolha de um parceiro realmente depende de uma certa
eletricidade entre os dois.

As fêmeas da espécie Campylomormyrus compressirostris, um peixe que produz
uma fraca descarga elétrica em um órgão próximo à cauda,
podem distinguir os machos de sua própria espécie por
sua identidade elétrica, relatam cientistas da
Universidade de Potsdam no periódico Biology Letters.

A habilidade das fêmeas pode funcionar como uma
eficiente barreira reprodutiva importante na especiação,
a divergência entre novas espécies e as existentes.
A C. compressirostris e outras espécies similares
utilizam suas descargas elétricas para navegação (elas
sentem quando o campo elétrico que criam é alterado pela
presença de um objeto) e para comunicação. Philine G.D.
Feulner, da Universidade de Sheffield, Inglaterra, e
colegas testaram se essa comunicação se estendia à
escolha de um parceiro.
Eles descobriram que as fêmeas escolheram os machos de
suas espécies consistentemente entre outros de espécies
com parentesco próximo, que produzem sinais elétricos de
fase diferente e outras características.
"As fêmeas realmente preferem machos que possuem o mesmo
sinal que elas," disse Feulner.
A descoberta pode ajudar a explicar por que existem
tantas espécies estreitamente relacionadas no rio Congo,
acrescentou a pesquisadora. Para duas espécies
divergirem vivendo tão próximas, é preciso haver alguma
barreira que impeça a reprodução cruzada. Essa barreira
geralmente envolve uma escolha do macho, baseada em
pistas sensoriais como a aparência, o cheiro e o som das
parceiras. Essa espécie parece usar o sinal elétrico
como outra forma de pista, disse Feulner.
Esse tipo de especiação também requer algum tipo de
diferenciação ecológica entre as espécies divergentes.
Por afetar a navegação do peixe enquanto busca por
alimento, o sinal elétrico pode também ter essa função,
disse Feulner.