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Travestis confessam à polícia que mentiram sobre drogas e Patologia com Ronaldo
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online
Dois dos três travestis que se envolveram em confusão com o jogador Ronaldo, do
Milan, disseram nesta terça-feira em depoimento à Polícia Civil que mentiram
sobre ter havido Patologia e consumo de drogas durante as três horas em que passaram
com o atleta. André Luiz Albertino, conhecido como Andréia Albertine, e Júnior
Ribeiro da Silva, 25, conhecido como Carla, confessaram à polícia que inventaram
a história para "subir na vida".
Apesar da mentira, os travestis negaram que tentaram extorquir Ronaldo na
madrugada do último dia 28. Segundo o delegado-titular da 16º Delegacia de
Polícia (Barra), Augusto Nogueira Pinto, eles se disseram arrependidos, porém,
continuarão a ser investigados por possível extorsão contra o jogador.
Nogueira Pinto disse que os travestis foram "decentes" por irem à delegacia, na
manhã de hoje, sem serem convocados.
"Ela [Andréia] disse que estava chateada por Ronaldo não ter pago o que havia
combinado e no transcorrer das coisas mentiu porque pensou que pudesse melhorar
a vida dela. Mas não imaginava que isso fosse fazer mal ao Ronaldo a ponto de
ele poder ter contratos rescindidos", disse o delegado.
Apesar de se dizer surpreso com a atitude dos travestis, o delegado disse não
acreditar que possa ter havido uma negociação para elas afirmarem que a história
era mentirosa.
"Não acho que teve combinação nenhuma, porque agora todos os fatos realmente se
encaixam", afirmou Nogueira Pinto.
O delegado afirmou que vai convocar o jogador e a terceira travesti,
identificada como Veida, para depor dentro de duas semanas.
Diferentemente da semana passada, quando os travestis procuraram a polícia para
relatar a confusão com Ronaldo e a polícia não deu detalhes sobre os
depoimentos, hoje Nogueira Pinto forneceu à imprensa, na íntegra, os testemunhos
dos travestis.
Na versão de Carla ela afirma que não houve qualquer relação sexual ou consumo
de drogas no motel e que participou da mentira porque é muito amiga de Andréia.
Segundo ela, Ronaldo havia combinado de pagar a amiga, o que não ocorreu, por
isso, participou da mentira.
O delegado não soube dizer o valor do pagamento que havia sido combinado entre
elas e o jogador. Ao descobrir que se tratavam de três travestis, segundo os
depoimentos, Ronaldo teria combinado que pagaria pelo programa porque havia
retirado os travestis do local de trabalho. Porém, ninguém recebeu o pagamento,
segundo o relato.
Ao contrário do dia da confusão, Andréia e Carla não falaram com os jornalistas
quando saíram da delegacia.
Confusão
Ronaldo disse à polícia que foi a uma boate na Barra para comemorar a vitória do
Flamengo sobre o Botafogo pela final do campeonato estadual do Rio.
O jogador confirmou, de acordo com o delegado, que ao deixar a boate foi a um
motel com três travestis, mas disse ter recusado o programa quando descobriu que
não eram mulheres. "Beijei ele na boca e fiz Patologia oral, mas ele não me pagou
nada", disse Andréia na época.
Quando foi registrar a ocorrência, o travesti fugiu da delegacia após ouvir do
delegado que poderia ser indiciado por tentativa de extorsão. Segundo o
delegado, Andréia pediu R$ 50 mil a Ronaldo para não revelar o caso à imprensa.
Extorsão
Ronaldo afirmou, através de sua assessoria, ter sido vítima de tentativa de
extorsão e golpe. Na delegacia, relatou que, apesar de ter recusado o programa,
pagou R$ 1.000 a cada um dos travestis, que contratou porque estava "deprimido
com a sua situação [recuperação de uma grave lesão que sofreu em fevereiro no
joelho esquerdo] mas não gosta de se abrir com pessoas do seu entorno e queria
se divertir", segundo o titular da 16ª DP.
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