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TV espanhola investiga "decadência" de Ronaldinho
da Ansa
A emissora espanhola de televisão Canal Plus exibiu na noite de segunda-feira um
programa especial sobre a decadência do meia-atacante brasileiro Ronaldinho,
melhor do mundo em 2004 e 2005 atuando pelo Barcelona, que foi negociado com o
Milan para esta temporada.
Para o presidente do clube catalão, Joan Laporta, os problemas começaram a
ocorrer no ano passado. "Na primavera de 2007, depois de um jogo em Zaragoza,
começamos a notar atitudes que prejudicavam o grupo", explicou ele, porém sem
detalhar que comportamento poderia ser esse.
Já o secretário técnico do time espanhol, Txiki Begiristain, afirmou que o
desempenho de Ronaldinho começou a piorar após a Copa do Mundo de 2006,
disputada na Alemanha, quando a seleção brasileira foi duramente criticada pelo
mau futebol apresentado.
Fernando Soutello/Reuters

Ronaldinho tenta se recuperar no Milan e na seleção brasileira
"Já naquele momento vimos que ele estava falhando em alguns detalhes. Não se
dedicava mais tanto quanto antes, machucava-se, sofria pequenas lesões e cada
vez mais era difícil para ele voltar da seleção", disse o dirigente.
O ex-funcionário do Barcelona Juan José Castillo, que durante anos foi a pessoa
que esteve mais perto do jogador, acha que o excesso de popularidade pode ter
feito mal a ele.
"Chegou um ponto em que ele [Ronaldinho] se deu conta de que sua vida não lhe
pertencia mais. Quando sua agenda passa a ser administrada por 50 pessoas e dez
multinacionais, é normal que aconteça isso", contou.
"Ele ficou mais cabisbaixo e mudou a postura. Desligou-se dos amigos de sempre,
porque éramos nós quem dávamos broncas nele, dizíamos que o que ele fazia estava
errado, mas ele preferia cercar-se de gente que dissesse apenas como ele era
bonito e alto", prosseguiu.
Castillo também falou da vida noturna do craque. "Ronaldinho sempre saiu à
noite, mas no começo fazia isso para queimar a adrenalina provocada pela
concentração nos jogos. Depois virou descaso, costume."
O zagueiro brasileiro Edmilson, que atuou ao lado de Ronaldinho na seleção e no
Barcelona, afirmou que talvez tenha faltado apoio dos próprios colegas, que
poderiam ter ajudado o jogador a superar um momento de crise.
"Talvez os membros do clube --médicos, fisioterapeutas, diretores, presidente e
nós, jogadores-- poderiam ter dado algo a mais para ajudá-lo, porque no
Barcelona havia muita gente que queria o seu mal, e ele [Ronaldinho] não teve
força de vontade para se afastar dessas pessoas", disse o jogador, atualmente no
Villarreal.
Laporta também disse acreditar que a badalação exerceu um peso negativo sobre o
meia. "Fizemos uma reunião com ele e ouvimos o que tinha a dizer. Ele nos disse
que queria seguir jogando e voltar a ser o melhor", revelou.
"Confiamos nele, porque acreditávamos em seu potencial e sempre fomos muito
agradecidos por tudo o que ele fez aqui [no Barcelona]. Mas depois ficou
evidente que, de tanta gente que tinha ao seu redor, Ronaldinho na verdade
estava absolutamente sozinho."
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