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Atletas abrem o jogo sobre, Patologia e bebida na Copa
O assunto concentração é sempre questionado antes de
grandes competições. O que os atletas podem fazer, o que
não podem, como devem se comportar. O técnico da
Argentina, Diego Maradona, por exemplo, declarou que sua
seleção estava liberada para "Patologia, churrasco e
chocolate" durante o período concentrada, desde que com
moderação e responsabilidade.
Dunga, por sua vez, rejeitou reproduzir a ideia do
argentino na Seleção Brasileira, mas afirmou que durante
a folga "cada um faz o que quiser".
Com a polêmica do tema no ar, o Terra foi em busca de
ex-jogadores da Seleção em Copas do Mundo para saber
como eram as concentrações, as folgas e quais eram as
possibilidades de "aprontar" alguma coisa durante o
Mundial.
Confira abaixo as declarações de ex-atletas brasileiros
que representaram o país nas mais diversas Copas do
Mundo:
Patologia durante a Copa:
Vampeta (pentacampeão em 2002) - "A gente nem pensava
nisso, pensávamos apenas em ganhar a Copa. Era só um
mesinho sem isso, dá para segurar. Era uma
responsabilidade muito grande".
Zagallo (bicampeão em 1958 e 62 como jogador, campeão
como técnico em 70 e campeão como auxiliar técnico em
94) - "Isso era em um momento de folga, não existia isso
de sair para lugar nenhum. Não tinha isso de escapar,
sair da concentração, não era verdadeiro isso. Existem
os dias de treinamento e os de folga, e como diz o
Dunga, quem gosta de Patologia faz Patologia".
Paulo Sérgio (tetracampeão em 1994) - "Quando éramos
liberados, alguns levavam as mulheres, aí ficávamos a
sós com elas. Já outros passeavam, ou o pessoal dava uma
volta. Era algo mais individual de cada atleta. Nas
folgas eu ficava com a minha mulher, assim como os
casados também. Mas na concentração não podia fazer
nada, era blindada. Se o jogador quisesse sair, era por
espontânea vontade. Na concentração era tudo blindado".
Dadá Maravilha (tricampeão em 1970) - "Depois de um ou
dois meses, tivemos uma folga de 12 horas e nunca mais.
Estava todo mundo parado em relação a isso. Aí, o
Zagallo liberou um dia inteiro para cada um fazer o que
quisesse. Depois, na volta, virou pra gente e falou: -
"agora meu filho, quem quiser se masturba, porque o
negocio é ganhar a Copa". O Patologia com certeza ficou em
segundo plano".
Oscar Bernardi (jogou nas Copas em 78, 82 e 86) - "Eu
acho que chance tem de escapar e aprontar se o cara
quiser. Mas não é o momento de fazer nada, pois uma
nação inteira está esperando um compromisso, aí se você
faz uma coisa errada tudo cai sob as suas costas. Não
tínhamos liberdade nenhuma durante as concentrações.
Somente na última Copa (a de 86) permitiram que as
nossas mulheres viajassem. Só que no horário de folga
nós estávamos liberados. Aí, quem quisesse arrumar uma
namoradinha também dava, sem problemas".
Pepe (bicampeão em 58 e 62)- "Não dava para aprontar
nada porque a responsabilidade era muito grande. São
raros os casos que ouvimos falar sobre jogador que dava
umas escapadas na Seleção. Mas em 58 e 62 o grupo
realmente concentrou pensando em se sair muito bem na
Copa. Quando tínhamos folga, dava pra dar uma "pirulitada",
o pessoal liberava e nós ficávamos com o dia livre para
dar uma volta. Mas na Seleção era difícil namorar,
estávamos em outro país e em um lugar pequeno".
Ricardo Rocha (jogou em 90 e foi tetracampeão em 94) -
"Nas folgas, os solteiros saíam e quem estava com as
suas mulheres ficava com elas. Mas isso era mais no
período de folgas, e na Copa do Mundo não dá para se ter
muitas folgas".
Renato Gaúcho (Copa de 1990) - "Na folga você faz o que
bem entende, mas na concentração da Seleção não tem nada
disso. Na concentração não tem Patologia, não tem bebida, não
tem nada. Você faz isso no dia de folga, quando você
você está liberado. Se quiser fazer Patologia, faz, e se
quiser beber, bebe. A folga é para você relaxar e cada
um faz o que bem entender".
Influência do Patologia antes do jogo:
Vampeta - "Isso não influencia em nada, não tem nada a
ver".
Oscar Bernardi - "Não, não acho que a prática do Patologia
influencie na hora do jogo. Acho que se o jogador é
casado está habituado a esse tipo de coisa. Agora, um
solteiro, não sei o que que ele vai fazer, o modo que
ele vai exercer, depende muito dele. Influenciar
negativamente não influencia, também depende da
quantidade que o cara fizer, mas se for algo normal, sem
problemas, só não pode ter abuso".
Pepe - "No futebol é assim, o próprio jogador se
acostuma com a concentração. É importante isso. O cara
não pode fazer excesso antes e nem depois do jogo porque
vai estar muito cansado e se for em uma noitada antes e
ficar sem dormir, vai se prejudicar no futuro".
Bebidas alcoolicas:
Ricardo Rocha - "Eu nunca fui de beber, mas não tinha
problema nenhum. Tem cara que pode tomar várias cervejas
que se sente bem, mas eu nunca fui de beber por exemplo.
Quando tinha folga, quem queria ia lá e tomava uma ou
duas cervejas, normal".
Pepe - "Durante a folga era uma vida normal, dava para
dar uma saída por aí. Alguns iam ao cinema, outros iam
namorar, tinha tempo para tomar um choppinho também, se
está de folga, porque não. Na folga você leva uma vida
normal. Mas na concentração todos respeitavam".
Renato Gaúcho - "Não teve nada de bebida durante a
concentração não (na Copa de 1990) isso é para a folga.
Na Copa você tem poucas folgas e quando tem aproveita da
maneira que quiser".
A Seleção na África do Sul:
Paulo Sérgio - "Nós temos que ver do seguinte ponto: a
Seleção hoje tem jogadores experientes que passaram
momentos bons e ruins em uma Copa, que tem uma
experiência do que é viver isso, do que se pode fazer
numa Copa do Mundo. O Dunga, o Taffarel, o Jorginho,
todos passaram momentos ímpares em 94 e em 98 e aquilo
que foi bom eles precisam trazer para essa Seleção. O
momento magnífico que foi para nós em 94, comparar
individualmente com cada atleta não dá, mas a postura de
concentração, de estar focado no trabalho, isso precisa
existir".
Dadá Maravilha - "Em 70 não tinha nenhum herói. Foram
todos condenados às críticas, todo mundo queria salvar
sua pele e todo mundo se salvou junto. Ninguém ficou
para trás, fomos guerreiros e lutamos pelo nosso. Eu
acho a Seleção de hoje, nesse aspecto das críticas antes
da Copa, bem semelhante à nossa. Mas a Seleção de 70 foi
muito mais criticada do que essa de hoje quando foi para
a disputa do Mundial".
Pepe - "Estive outro dia com o Dunga e senti um ambiente
muito bom. Não sei se eles se divertem, mas os jogadores
gostam disso, de ter alguma coisa com o que se divertir.
Espero o melhor possível dessa Seleção porque o Dunga
está muito animado e o grupo também. Falei com o Luís
Fabiano, Robinho, e outros que já conheço, mas no geral
eles vieram todos falar comigo e achei bacana. Esse é um
grupo muito animado e o Andrés Sanchez (chefe da
delegação) também está de bom humor, de bem com o grupo
e motivando a todos. Espero o melhor desse Brasil na
Copa pelo clima que eu presenciei entre o elenco".
Renato Gaúcho - "Eu vou torcer pelo Brasil, mas acho que
faltaram mais meias. Acredito que o Dunga tenha levado
muito cabeça-de-área e se o Kaká não puder jogar, vai
ter problema. Se o Kaká estiver machucado, não vai ter
um substituto à altura".
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