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Oferta da Microsoft põe Yahoo! em encruzilhada, dizem analistas
s, em San Francisco
A oferta de US$ 44,6 bilhões feita pela Microsoft parece ter deixado o Yahoo! em
uma encruzilhada: aceitar a proposta de um grande rival ou procurar outras
alternativas arriscadas, como pedir ajuda de um outro forte concorrente, o
Google, afirmam especialistas.
Por enquanto, o Yahoo! anunciou apenas que vai analisar "cuidadosamente" a
oferta e que esse processo pode levar "algum tempo". Entre as opções, está
manter a empresa independente.
Kimberly White/Reuters
Para analistas, dificilmente Yahoo! terá condições de recusar a proposta da
Microsoft; acordo com o Google não está descartado
"No fim das contas, eu não acho que eles [o Yahoo!] não vão poder rejeitar a
Microsoft", afirma o analista Peter Falvey, da consultoria Revolution Partners.
Mas se o Yahoo! recusar a oferta da Microsoft, especialistas afirmam que
provavelmente a empresa terá de "engolir o orgulho" e firmar uma parceria com o
Google na área de
--isso se um possível acordo como esse for
aprovado por órgãos reguladores de comércio.
Nesse panorama, o Yahoo! iria permitir que o Google administre o site de busca
da empresa, aderindo a uma enorme lista de outros sites que recebem uma comissão
do Google por parte do faturamento gerado pelo sistema.
Mas apenas o acordo com o Google não seria suficiente para acalmar os acionistas
e encorajá-los a recusar a oferta da Microsoft, afirmam os analistas. O valor
oferecido pela empresa é 62% superior ao preço das ações do Yahoo! na
quinta-feira (31), quando toda a companhia tinha valor de mercado de US$ 25,6
bilhões.
Pela proposta da empresa fundada por Bill Gates, os acionistas do Yahoo! poderão
escolher se querem receber sua parte no negócio em dinheiro ou em ações da
Microsoft. Caso escolham a última opção, eles se tornariam acionistas da empresa
de Bill Gates. No total, a Microsoft se propõe a pagar metade em dinheiro e
metade em ações.
Para "animar" os acionistas, o Yahoo! teria de pagar um bônus ou até recomprar
as ações deles.
Segundo o analista George Askew, da Stifel Nicolaus, comprar essas ações
custaria cerca de US$ 20 bilhões ao Yahoo!. Para cobrir esse rombo, a empresa
teria de demitir 4.500 empregados (31% do quadro de funcionários), afirma o
especialista. Também teria de se desfazer de investimentos importantes, como o
Alibaba.com e o Yahoo! Japão
Como a maioria dos analistas, Askew ainda considera que o Yahoo! vai acabar
aceitando a proposta da Microsoft. Isso porque a empresa de Bill Gates parece
estar disposta aumentar a oferta e tem maior poder econômico que qualquer outro
concorrente que planeje entrar na briga.
De qualquer forma, o outro grande interessado no negócio, o Google, está
trabalhando de forma agressiva para impedir o acordo. Segundo o site do jornal "The
New York Times", a gigante do mercado de buscas vê o acordo como uma tentativa
de ataque direto.
A publicação afirma que o executivo-chefe do Google, Eric E. Schmidt, ligou para
o executivo-chefe do Yahoo!, Jerry Yang, oferecendo ajuda para afastar a
Microsoft.
De acordo com o jornal, lobistas do Google em Washington também já trabalham em
uma forma de apresentar uma ação contra o negócio aos congressistas
norte-americanos. A idéia é que apenas um prolongamento no processo de aprovação
da compra já beneficiaria o Google.
O Comitê Judiciário do Congresso dos Estados Unidos vai analisar o assunto na
próxima sexta-feira (8). O órgão vai ouvir especialistas para verificar o
impacto do possível negócio sobre o mercado de internet.
Briga aberta
Além do trabalho de bastidores, o Google já demonstrou publicamente seu
descontentamento com a possibilidade da venda do Yahoo!. Em um post em seu blog
corporativo, a empresa questiona se a Microsoft pode "estender para a internet o
mesmo tipo de influência ilegal e inapropriada que mantém sobre os PCs".
Na mensagem, publicada no domingo (3) e assinada por David Drummond,
vice-presidente de Desenvolvimento Corporativo e conselheiro jurídico do Google,
a companhia afirma que o negócio é "mais que uma simples transação financeira,
uma empresa comprando a outra".
"Enquanto a internet premia inovação competitiva, a Microsoft procurou
estabelecer monopólios --e então usar sua dominação para novos mercados
adjacentes", afirma o executivo.
O executivo-chefe da Microsoft, Steve Ballmer, rebateu as acusações. 'O Google
tem claramente uma posição dominante. Eles têm cerca de 75% do mercado mundial
de links patrocinados', afirmou. Segundo ele, a compra do Yahoo! estabeleceria a
Microsoft como um 'forte segundo colocado' no mercado de buscas, o que
aumentaria a competição na área.
Ofensiva
Na proposta enviada ao Yahoo!, a Microsoft deixa claro que seu objetivo no
negócio é unir forças para ganhar força no mercado de
on-line.
Em clara referência ao Google, a empresa afirmou: "Hoje o mercado é cada vez
mais dominado por um 'player' que está consolidando seu domínio por meio de
aquisições. Juntos, Microsoft e Yahoo! podem oferecer uma alternativa confiável
para consumidores, anunciantes e editores".
De acordo com a Microsoft, o mercado de
on-line está crescendo
rápido --deve passar de US$ 40 bilhões em 2007 para quase US$ 80 bilhões em
2010, nas contas da empresa.
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