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Site de fofocas gera polêmica entre universitários

O aluno de terceiro ano da Universidade Cornell estava em seu quarto, em um intervalo entre aulas, quando recebeu uma mensagem de texto de um amigo, alertando-o sobre um post no site JuicyCampus.com. O aluno viu seu nome associado, no site, a uma desconexa e obscena história quanto às suas atividades sexuais, postada por um suposto aluno anônimo. A única esperança do jovem era que os leitores considerassem a história ridícula demais para levá-la a sério.

"Imaginei se aquilo poderia afetar minhas perspectivas de emprego, se faria as pessoas do campus prestarem mais atenção em mim, falar de mim pelas costas", disse o aluno, que pediu que seu nome não fosse revelado. Ele também imaginou o possível efeito sobre sua irmã de 11 anos de idade, que hoje em dia passa muito tempo na Internet. "E se ela fizer uma busca com o meu nome? O que vai pensar sobre seu irmão mais velho?"

As fofocas anônimas que o JuicyCampus publica sem parar se tornaram atrações online nos sete campi em que o site foi lançado, no final do ano passado, entre os quais os da Universidade Duke, Universidade Loyola Marymount e Universidade da Califórnia em Los Angeles. Recentemente, o site passou a incluir fofocas sobre mais de 50 campi, e muitos dos posts registram centenas e até milhares de visitas.

Mas as fofocas se provaram tão venenosas que há um contra-ataque em curso. Nos debates universitários quanto à liberdade da Internet, os alunos em geral defendem a abertura e o acesso. Desta vez, porém, líderes estudantis, editoriais de jornais universitários e cartazes espalhados pelos campi estão reagindo ¿ e alguns deles até solicitam que os administradores universitários proíbam o JuicyCampus.

"Isso representa uma afirmação, pelo corpo discente, de que não desejamos esse lixo em nossa comunidade", disse Andy Canales, presidente da união de alunos da Universidade Pepperdine, cujo conselho decidiu recentemente pedir a proibição do site, por 23 votos a cinco.

A votação surgiu depois de um longo e apaixonado debate sobre os limites da liberdade de expressão, e terminou influenciada por histórias sobre alunos como a contada por Haley Frazier, que é conselheira de alojamento. Frazier contou ter conversado há pouco tempo com uma aluna transferida de outra instituição, que estava chorando por ter sido humilhada no site apenas uma semana depois de ter chegado ao campus.

"Não posso imaginar a repulsa que ela deve sentir por Pepperdine, se é isso que os alunos da universidade podem dizer", afirmou Frazier.

Os administradores universitários se declaram ultrajados pelo site, mas não há como controlá-lo, já que os alunos podem visitar as páginas sem usar a rede da universidade. Eles afirmam que o máximo que podem fazer é aconselhar os alunos a não postar fofocas malévolas, e que aprendam a se relacionar melhor com seus colegas. A tática parece estar fazendo efeito.

Em diversos campi onde o JuicyCampus costumava ser assunto quente ainda algumas semanas atrás, estudantes e administradores dizem que o número de queixas despencou. É difícil confirmar a tendência, porque o serviço de mensuração de audiência comScore afirma que o tráfego nos sites é baixo demais para ser medido pelo seu sistema.

Mas há mais e mais mensagens criticando o site, com afirmações como "ei, melhor não arruinarmos as vidas uns dos outros", e "se você não consegue imaginar o efeito do que acontece aqui, pense na mesma coisa dita sobre sua irmã ou seu melhor amigo".

"As pessoas estão enjoadas de ouvir essas coisas", afirma Rachelle Palisoc, aluna de primeiro ano na Loyola Marymount, Califórnia, que aderiu a um grupo do site de redes sociais Facebook que pede a proibição do JuicyCampus e conta com 850 membros.

O site de acesso gratuito e bancado por na verdade é um simples veículo que insta usuários a postar fofocas, prometendo completo anonimato. Há áreas temáticas sobre quem está transando com quem no campus, quem é popular, quem é gordo demais.

Um assunto típico, por exemplo, se define como "as 10 calouras mais vagabas", mas também há posts com títulos como "os judeus estão arruinando esta escola". A homofobia é comum. Muitos posts combinam a crueldade de um recreio de escola, a dinâmica social muito móvel de um campus universitário e o alarmante alcance mundial da Internet.

O JuicyCampus garante que bloqueia a indexação de suas listas de discussão por sites de busca como o Google, e isso parece proceder. "Os universitários são espertos e adoram se divertir, e queríamos criar um lugar onde pudessem trocar histórias", disse Matt Ivester, fundador do site, que concordou em responder perguntas por e-mail.

"Como qualquer coisa nem que minimamente controversa, há sempre gente que exige censura", ele disse, em resposta a apelos pelo fechamento do site ¿entre os quais o apresentado pela universidade em que estudou, a Duke. Ivester rejeitou todos os pedidos. "Nós acreditamos que o JuicyCampus possa ter um impacto realmente positivo sobre os sites, como espaço de entretenimento e livre expressão. Francamente, me surpreende que a administração de qualquer universidade se oponha ao livre intercâmbio de idéias".

Larry Moneta, vice-presidente de assuntos estudantis da Duke, disse que a escola pediu a Ivester que considerasse a possibilidade de "moderar a peçonha, ou ao menos moderar a oportunidade de peçonha". No entanto, "minha sensação é de que isso não interessa àquela pessoa", afirmou Moneta.

Sob as leis norte-americanas, o JuicyCampus em termos gerais não é responsável pelo que os usuários postam, disse Daniel Solove, professor de Direito na Universidade George Washington e autor de um livro recente sobre o futuro da privacidade na era da Internet.

Mas Solove acredita que o Congresso e os tribunais tenham exagerado na proteção a essas coisas. Uma coisa é conceder proteção ao proprietário de um site quando alguém posta uma mensagem difamatória sem que o operador esteja ciente. Mas Solove acredita que sites como o JuicyCampus existam apenas para propagar fofocas, e que o padrão aplicado a eles pela lei deveria ser outro.

As preocupações vão além de sentimentos magoados. Na Loyola Marymount, um aluno terminou detido, e expulso, depois de supostamente postar mensagem no JuicyCampus ameaçando um massacre em massa na universidade. E os perigos da pressão contra os jovens nas redes sociais foram ressaltados recentemente pela morte de uma menina de 13 anos, de um subúrbio de St. Louis, que se suicidou depois de receber mensagens cruéis em sua página do MySpace ¿ as mensagens eram parte de uma brincadeira de mau gosto.

Jerry Derloshon, porta-voz da Pepperdine, disse que a escola aplaude a reação da união de alunos, ainda que não tenha proibido o site. "No fim, o valor de choque do site se reduzirá e o vazio que ele oferece será revelado a todos", disse.

Tradução: Paulo Miglilacci ME


AP

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