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Comissão Européia multa Microsoft em R$ 2,2
bilhões
A CE (Comissão
Européia, órgão executivo da União Européia) anunciou nesta quarta-feira a
aplicação de uma multa de 899 milhões de euros (cerca de R$ 2,2 bilhões) à
Microsoft por não cumprir as obrigações determinadas em 2004 para corrigir
violações às regras de concorrência.
A multa representa o maior valor já cobrado pelo bloco a uma única empresa por
não cumprir uma sentença. A comissão afirma que a empresa norte-americana cobrou
preços excessivos a seus concorrentes para ceder informações essenciais sobre
seus softwares, a fim de que outras empresas fabricassem produtos compatíveis.
Yves Herman /Reuters
Neelie Kroes, comissária da UE, afirma que Microsoft descumpriu decisão
antitruste
Em 2004, após concluir que a Microsoft tinha abusado de sua posição de domínio
no mercado de informática, o órgão executivo da UE estabeleceu que a companhia
devia oferecer informações às outras empresas. Na ocasião, a empresa também
precisou pagar uma multa milionária, no valor de 497 milhões de euros (cerca de
R$ 1,25 bilhão).
A decisão foi apoiada pelo Tribunal de Justiça da UE em setembro de 2007, mas,
segundo a CE, a Microsoft só começou a cumpri-la adequadamente em 22 de outubro
do ano passado.
"A Microsoft é a primeira empresa nos 50 anos de política de concorrência da UE
que a Comissão precisa multar por não cumprir com uma decisão antitruste",
afirmou a comissária da UE, Neelie Kroes.
Interoperabilidade
Em comunicado, a Microsoft informou que vai analisar esta nova decisão da CE e
também citou o anúncio que fez na semana passada a respeito dos seus novos
princípios de interoperabilidade, informando que tem realizado ações específicas
para aumentar a abertura de informações sobre seus produtos.
"Estamos revisando a ação da Comissão. Em outubro de 2007, a CE havia anunciado
que a Microsoft tinha cumprido sua decisão de 2004, por isso estas multas se
referem a coisas passadas que foram resolvidas", diz a nota.
Kroes afirmou que a multa de hoje pune o descumprimento entre março de 2004 e
outubro de 2007, e não tem a ver com as novas investigações abertas recentemente
contra a Microsoft, também por abuso de posição dominante.
A empresa de informática é acusada de dificultar a compatibilidade do programa
Office e de incluir ilegalmente o buscador Explorer como parte do sistema
operacional Windows.
A comissária também disse que, ao adotar durante mais de três anos preços
excessivos devido à cessão de informação essencial, a companhia norte-americana
não incentivou a inovação no mercado de programas de informática.
Com relação ao alto valor da multa, Kroes afirmou que é proporcional à gravidade
e duração das práticas de anticoncorrência.
"Poderíamos ter ido mais longe", acrescentou Kroes, informando que, com esta
sanção, a Comissão deixa claro que não quer promessas, "mas cumprimento".
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