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Orkut tem 90% das denúncias de pedofilia na
internet no Brasil, diz ONG
Cerca de 90% das denúncias de pedofilia registradas no Brasil no ano passado
tinham relação com o conteúdo do Orkut, segundo um relatório divulgado pela ONG
Safernet. De acordo com a organização, a postura adotada pelo Google --dono do
site de relacionamentos-- em não repassar rapidamente informações sobre
criminosos, contribui para esse quadro.
"Tivemos problemas com o Google nos últimos dois anos, com a dificuldade em
obter informações sobre criminosos no Orkut. Isso fez com que os criminosos
vissem o site como porto seguro para crimes. Contribuiu muito para a percepção
de que a internet é terra de ninguém", afirma Thiago Tavares, presidente da
Safernet.
Membros do Ministério Público e a própria Safernet afirmam que o Google se nega
a fornecer informações sobre dados de usuários, utilizadas para investigar
crimes no site de relacionamentos. Entretanto, o Google diz que não se nega a
disponibilizar esses dados ou a deletar comunidades, desde que haja uma
determinação judicial sobre o assunto.
Segundo Tavares, a situação começou a mudar em setembro do ano passado, quando o
Google se comprometeu a liberar informações sobre essas ações, mediante
determinação da Justiça. "Há uma nova postura, de cumprir a legislação. Houve
avanços e estamos trabalhando com eles [o Orkut]", afirma.
O Google informou que essa participação no número de denúncias já era esperado,
em razão do número de usuários do Orkut no Brasil e pelo fato de a empresa
estimular os usuários a comunicarem esse tipo de crime.
"Como fizemos um trabalho de orientação para que os usuários denunciem, é comum
que muita gente notifique conteúdo irregular no Orkut. É preciso ver que pode
haver várias denúncias para o mesmo caso", afirma Félix Ximenes, diretor de
comunicação do Google.
Denúncias em alta
No total, a Safernet recebeu 267.089 denúncias sobre pornografia infantil em
2007, uma alta de 126% em relação ao ano anterior. Para a Safernet, essa alta se
deve a uma maior conscientização dos internautas em comunicar a ocorrência desse
tipo de crime e ao aumento na base de usuários da rede no país.
"O próprio governo federal tem uma política de inclusão digital, para disseminar
o uso no país, o que é louvável. O problema é que essa política não está
associada a um aumento na repressão dos crimes cibernéticos", afirma Tavares.
De acordo com o presidente da ONG, no curto prazo, é preciso aperfeiçoar os
mecanismos de remoção dessas páginas e de identificação dos criminosos. Mas o
mais importante, segundo ele, é conscientizar os usuários. "Temos que divulgar
os canais de denúncia, mostrar que a internet não é terra sem lei, que a
legislação do mundo real vale para a web e que tudo o que você faz na rede é
rastreado", diz ele.
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