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Se Google não colaborar, CPI pode fechar Orkut,
diz senador
DIÓGENES MUNIZ
Editor de Informática
FELIPE MAIA
Executivos do Google no Brasil depõem na manhã desta quarta-feira (9) à CPI
(Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia, instalada no Senado no mês
passado. De acordo com o presidente da CPI, Magno Malta (PR-ES), caso a
companhia não colabore com as demandas que serão apresentadas, há possibilidade
do Orkut sair do ar. Entre os advogados que defenderão o Google, dono da rede
social, está o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça).
"Já avisamos que a CPI tem poder de Justiça e poder de polícia", diz Malta, que
conversou com Bastos nos últimos dias, por telefone. Os dois devem se encontrar
pela manhã, antes do depoimento de Alexandre Hohagen, diretor-presidente da
empresa, e Felix Ximenes, diretor de comunicação. "O ex-ministro me disse que
eles estão dispostos a cooperar. Mas queremos mostrá-los que essa conversa de
cooperação não é uma esmola para nós, não. Embora a empresa seja
norte-americana, eles têm que entender que isso aqui tem lei."
O Google é cobrado pela Justiça e pela Polícia Federal por não colaborar com
investigações sobre pedofilia na internet. De acordo com os investigadores, a
empresa se nega a divulgar o nome de internautas que divulgam conteúdo de
pornografia infantil na rede.
"Se eles não tiverem a disposição de cooperar nós teremos que chegar a qualquer
medida, ainda que seja uma medida extrema como essa [tirar o Orkut do ar no
Brasil]", afirma Malta. Os senadores cogitam fazer ainda uma acareação,
colocando frente a frente Sergio Suiama, procurador do Ministério Público
Federal de São Paulo, e Alexandre Hohagen, presidente do Google no país.
Ultimato
A última polêmica envolvendo a Justiça e o site no Brasil diz respeito a um novo
mecanismo de privacidade do Orkut. Desde o ano passado, os usuários podem
"trancar" seu álbum e a página de recados, deixando o acesso restrito a amigos
adicionados no perfil.
Na visão do Ministério Público, a ferramenta, que é uma proteção dada aos
usuários contra xeretas, encobre crimes de pedofilia. Criminosos estariam usando
o "cadeado" do álbum para compartilhar pornografia infantil sem serem vistos por
outros usuários e pelas autoridades.
De acordo com a ONG Safernet, houve 3.261 álbuns de fotografia do Orkut
denunciados por esse tipo de prática.
Para Sergio Suiama, procurador do Ministério Público Federal de São Paulo, o
Google age com "prepotência" perante a lei e os usuários brasileiros. Segundo
ele, a empresa simplesmente se nega a colaborar com as investigações.
"Em questões mínimas eles respondem com negativas. Há todo um sistema na Justiça
federal gastando tempo e dinheiro para solucionar problemas que eles mesmo
criaram. Falta uma resposta efetiva para isso", afirma.
Para o procurador, a empresa precisa ser obrigada a revelar dados de criminosos
no Orkut, com informações como logs de acesso, dados do usuário e fotografias
que estavam no site e constituem casos de pedofilia ou crimes de ódio contra
certas parcelas da população. "Nossa sugestão para a CPI é que os senadores
quebrem o sigilo de criminosos no Orkut", afirma ele, que é coordenador do Grupo
de Combate a Crimes Cibernéticos da instituição.
"Dentro do possível"
O Google nega que imponha tantas barreiras para a atuação da Justiça. Segundo a
empresa, não há problema em liberar dados de criminosos do Orkut, desde que
mediante decisão judicial. "Continuamos colaborando dentro do que é possível e
dentro dos prazos, seguindo todo o processo judicial", afirma Félix Ximenes,
diretor de comunicação da companhia no Brasil.
Desde 2006, o Orkut é o campeão de ações do Ministério Público Federal no que se
refere à pornografia infantil. Em 2007, dos 355 novos procedimentos judiciais
encabeçados pela instituição nessa área, 287 eram referentes ao portal de
relacionamentos --um índice de 80,8%.
Por isso, MPF considera que há pontos fundamentais com os quais o Google tem de
se comprometer. O órgão quer que informações e dados de usuários sejam
preservados por ao menos três anos e que as provas, como imagens de pornografia
infantil, sejam enviadas ao Ministério Público. Com isso, seria possível coletar
provas para processar os autores desse tipo de crime.
A instituição exige também que o Orkut desenvolva filtros para impedir a
publicação de conteúdo com pedofilia e a implementação de um serviço de
atendimento ao consumidor nacional, inclusive com um telefone de 0800. E, com o
novo sistema de "trancamento" de álbuns, o MPF quer ter acesso a fotos
restritas.
Apesar desses problemas, Suiama não concorda com um possível fechamento do site
no Brasil. "Eu particularmente sou contra o fechamento do Orkut. A grande
maioria das pessoas o usam de maneira lícita, bacana", diz o procurador.
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