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PF e Interpol terão "hotline" para rastrear sites
de exploração sexual, diz governo
LUISA BELCHIOR
Colaboração para a Folha Online, no Rio
O governo federal vai criar, junto com a PF (Polícia Federal) e a Interpol
(Polícia Internacional), um esquema para rastrear sites que promovam a
exploração sexual infantil e receber denúncias. O anúncio foi feito na manhã
desta segunda-feira (19) durante o lançamento do 3ª Congresso Mundial de
Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que acontecerá no
Brasil em novembro.
A primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, que é presidente de honra do
congresso, chamou de "horror" a situação da prática da exploração sexual no
Brasil. "É um horror, temos que mudar, começar a discutir esse assunto, levar
para dentro de nosso trabalho", declarou, durante o lançamento oficial do
congresso, na manhã desta segunda-feira, no Rio.
O evento, contudo, só acontecerá entre os dias 25 e 28 de novembro deste ano, no
Riocentro, na zona oeste do Rio.
O site (chamado pelos presentes de "hotline") entrará no ar dentro de três
meses, de acordo com a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do
Adolescente do governo federal, Carmem Oliveira. Segundo ela, a página de
internet, que ainda não tem endereço, servirá para a PF receber denúncias e
rastrear sites que promovam a exploração sexual infantil.
"Isso nos aciona diretamente à PF, o que não podemos fazer atualmente",
declarou.
O uso da internet e novas tecnologias para o crime de exploração sexual infantil
será o foco do congresso, segundo o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria
Especial dos Direitos Humanos.
Embora reconheça que o crime ainda constitui uma "chaga" para o Brasil, Vannuchi
disse achar "totalmente intolerável" que haja prostituição de menores de 18 anos
no país.
Para a representante do Unicef no Brasil, Marie Pierre Poirier, o Brasil está
"no caminho para acabar" com a exploração sexual infantil, mas fatores como a
exclusão social e a pobreza ainda contribuem para o problema. Poirier afirmou
ainda que o uso da internet para a exploração sexual no Brasil preocupa a ONU.
"Temos que ir na base do fenômeno, nas populações pobres", disse.
"A exploração sexual começa no interior, nas populações ribeirinhas, pobres. O
turista sexual não é nosso inimigo número 1", disse a subsecretária Carmem
Oliveira. Oliveira elogiou a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da
Pedofilia do Senado. Disse que a CPI já conseguiu "resultados efetivos", como a
liberação de parte dos arquivos de sites de internet nos quais podem constar
crimes de exploração sexual de menores.
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