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Política precisa de interação para alcançar jovens
na web
Esqueça o discurso,
exercite o diálogo. Difícil para políticos? Pois este é exatamente o
comportamento esperado de candidatos que querem atingir o eleitor das
comunidades da Internet, cujo uso vêm crescendo no país em campanhas eleitorais.
A recomendação é de Marcelo Coutinho, professor da ESPM e diretor de análise e
mercado do Ibope.
"O site do candidato é só discurso, não tem interatividade. Se você quer usar as
comunidades de Internet, é preciso dialogar", disse ele à Reuters, tendo em
mente o convencimento de candidatos sobre o eleitorado.
Coutinho, que realizou pesquisa em conjunto com dois outros professores da ESPM
sobre uso da Internet nas eleições presidenciais de 2006, vai ainda mais longe
ao aconselhar os candidatos que pretendem utilizar estas redes: "Esqueçam também
a noção de controle".
Ou seja, para o pesquisador, o político precisa se desprender daquela neurose de
que uma parte dos que querem entrar em contato com ele em um site ou uma
comunidade de Internet são adversários e concorrentes que só querem
prejudicá-lo.
Nessas comunidades, os candidatos podem entrar em contato com os eleitores
jovens, os mais resistentes a temas políticos. Ao mesmo tempo, o levantamento
dos pesquisadores indica que há interesse pelo assunto, já que existem
aproximadamente 180 comunidades no Orkut sobre os atuais principais candidatos a
prefeito da cidade de São Paulo, num universo de quase mil comunidades sobre
eleições.
O número total é superior ao de julho de 2006, quando foram encontradas 46
comunidades sobre os principais candidatos a presidente. Nas duas eleições, o
que chama mais a atenção são as comunidades pró e contra candidatos. Há dois
anos, a maior comunidade pró-Geraldo Alckmin (PSDB) reunia 221 mil integrantes e
a maior pró-Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 106 mil.
O crescimento contrasta com o interesse menor despertado pelas eleições
municipais do que pelas presidenciais. Indica, por outro lado, o avanço do uso
deste meio.
Pela rede social Orkut, é possível participar de fóruns de discussão sobre os
temas mais diversos e fazer ou encontrar amigos. Dos 60 milhões de usuários do
Orkut em todo o mundo, 27 milhões ficam no Brasil.
É preciso, no entanto, dar um desconto no dado fornecido pelo Google uma vez que
ele não identifica um mesmo usuário que se cadastre com nomes diferentes.
"As eleições locais mobilizam menos os eleitores do que as eleições nacionais,
mas dado o crescimento acelerado da web nos últimos anos e a popularidade
crescente das redes sociais, pode ser que ao menos na Internet esta regra não se
confirme", acredita Coutinho, que junto com os colegas vai atualizar a pesquisa
com os dados da eleição municipal, que ficará pronta em 2009.
Internet bate revistas
A Internet como um todo está acima das revistas como meio utilizado pelos
eleitores para conhecer os candidatos. Nas eleições de dois anos atrás, segundo
o Ibope, a Internet foi o meio de informação indicado por 6% dos eleitores, ou
7,8 milhões do total de 126 milhões de eleitores daquela eleição.
As revistas ficaram com 4% e os meios tradicionais permaneceram bem à frente: TV
(76%), jornais (29%) e rádio (28%).
Coutinho afirma que o patamar atual do Brasil é similar ao dos Estados Unidos no
início da década, quando a Internet superou primeiro as revistas, depois o rádio
e, na atual disputa presidencial, se transformou na segunda fonte de informação
para os eleitores depois da TV.
O candidato democrata Barack Obama optou por reduzir sua estrutura
administrativa para fazer campanha pela Internet. Ele tem usado as redes sociais
para gerar envolvimento e contribuição financeira para sua campanha.
O professor afirma ainda que, apesar de o uso da Internet para temas políticos
ser menor do que nos EUA e na Europa e ter impacto limitado na decisão de voto,
os brasileiros, das faixas A e B, estão entre os que passam mais tempo na web em
casa, ultrapassando norte-americanos e europeus.
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