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China critica Bush e mantém censura à internet
durante Olimpíada
da
Ansa, em Pequim
O governo da China criticou nesta quinta-feira o encontro do presidente
norte-americano, George W. Bush, com um grupo de dissidentes e respondeu aos
protestos da imprensa estrangeira e do COI (Comitê Olímpico Internacional)
reafirmando a censura à internet, "prevista na lei chinesa", mesmo durante os
Jogos Olímpicos de Pequim.
Bush, sob pressão por fazer um gesto a favor dos direitos humanos antes de
partir para Pequim --onde irá permanecer entre os próximos dias 8 e 10 de
agosto--, recebeu na última terça-feira (29) na Casa Branca cinco dissidentes
chineses, entre os quais o inventor do movimento "Muro da Democracia", Wei
Jingshen, o ex-prisioneiro político Harry Wu e a empresária uigur Rebiya Kaader.
Os outros dissidentes presentes no encontro eram Bob Fu e Sasha Gong.
"Organizando este encontro entre o líder deles [o presidente Bush] e estas
pessoas e fazendo declarações irresponsáveis sobre a situação dos direitos
humanos e da religião na China, os EUA deselegantemente interferiram nas
questões internas da China e mandaram uma mensagem profundamente errada às
forças hostis antichinesas", comentou o porta-voz do Ministério das Relações
Exteriores chinês, Liu Jianchao.
Em um comunicado publicado no site do Ministério das Relações Exteriores, o
próprio Jianchao criticou o Congresso dos Estados Unidos, que pediu a Pequim que
"melhore a situação dos direitos humanos" e "coloque um fim à repressão das
minorias".
Incômodo
O encontro de Bush com os dissidentes foi particularmente um incômodo para a
China devido à presença entre os convidados na Casa Branca de Rebiya Kadee, que
esteve na prisão por seis anos antes de se expulsa em 2005, de fato a mais
conhecida representante da etnia muçulmana uigur da qual, segundo o governo de
Pequim, provêem os grupos terroristas que pretendem "sabotar" as Olimpíadas.
O programa de Bush, segundo afirmou um porta-voz, prevê a participação do
presidente em uma missa no domingo dia 10, ao final da qual ele falará da
liberdade de religião na China.
Bush deve se encontrar com os líderes de outros países, entre os quais o
presidente chinês, Hu Jintao, e irá assistir a uma disputa olímpica que, segundo
informações ainda não confirmadas, poderá ser uma partida entre as equipes de
basquete de seu país e dos donos da casa.
Respondendo a uma pergunta no decorrer de uma coletiva de imprensa na capital,
Liu Jianchao expressou um julgamento favorável sobre os oito anos de Presidência
de Bush.
Nesse período "o presidente Bush trabalhou muito e fez muitos esforços pela
estabilidade e a saúde das relações bilaterais, e obteve resultados notáveis",
afirmou Jianchao. "Nestes oito anos as relações entre China e Estados Unidos
mantiveram um forte impulso positivo", completou o porta-voz.
Internet
A confirmação de que os jornalistas presentes em Pequim não terão acesso livre à
internet veio do porta-voz da assessoria de imprensa do Bocog (Comitê
Organizador dos Jogos Olímpicos), Sun Weide.
Weide falou apenas dos sites ligados à seita religiosa de Falun Gong que,
segundo ele, "é um culto vetado pela lei chinesa", não comentando sobre os
outros inúmeros sites bloqueados pela censura chinesa.
"Como outros países, a China administra a internet em função de suas leis. Não
autorizamos o acesso a sites que divulgam informações ilegais ou que prejudiquem
nossos interesses", acrescentou Weide.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês reafirmou nesta
quinta-feira que a China está decidida a controlar a internet durante os Jogos
Olímpicos, em conformidade com as leis. "Estamos decididos a aplicar a
legislação e a fazê-lo de maneira efetiva", afirmou Jianchao aos jornalistas.
Vários porta-vozes do governo chinês reiteraram a decisão de suas autoridades,
enquanto o COI, constrangido, foi obrigado a admitir que os chineses jamais
prometeram realmente uma liberdade total na rede para a imprensa acreditada.
A porta-voz do COI, Giselle Davis, disse que o presidente Jacques Rogge, que
chegou nesta quinta a Pequim, "irá pedir explicações" às autoridades chinesas.
Ela afirmou que o COI esperava que a China bloqueasse apenas o aceso aos sites
pornográficos ou ameaçadores à sua segurança nacional.
Com France Presse
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