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Estudante quer indenização de R$ 50 mil por perfil
falso do Orkut
O estudante de
direito Anderson Demarchi, 20, tenta na Justiça uma indenização de R$ 50 mil por
danos morais contra o Google, dono do Orkut. Demarchi, que mora em Assis (434 km
de SP), diz que decidiu mover a ação devido à criação de um perfil falso
(popularmente conhecido como "fake") que foi utilizado para difamá-lo junto a
amigos, namorada e parentes.
"Criaram uma página falsa minha. Fiquei sabendo desse perfil pelos meus amigos
que acharam estranhas as mensagens enviadas", afirmou. De acordo com Demarchi, o
usuário ainda não identificado "roubou" até oito fotos de seu perfil verdadeiro
para criar a fake --página falsa. No processo consta que a página sugeria que o
estudante era homossexual.
Nesta terça-feira (14), o juiz 4ª Vara Civil de Assis, José Roberto Canducci
Molina, presidiu sem sucesso uma audiência de conciliação entre Demarchi e uma
representante do Google. Foi marcada uma nova audiência, com a oitiva de
testemunhas, para janeiro do ano que vem.
Vingança
Após tomar conhecimento do perfil falso, Demarchi iniciou uma conversa pela
própria página com o autor da página, que sem se identificar, afirmou se tratar
de uma vingança. "Eu não sei o motivo [da vingança]. Não tenho a mínima idéia de
quem é essa pessoa", afirmou.
O estudante explicou que sofria constrangimentos quando saia pela cidade e até
seu relacionamento acabou por conta das intrigas causadas pelo falso perfil.
"Vivia isolado. Tentei até suicídio tomando remédios."
De acordo com o advogado da vítima, Vilmar Francisco Silva Melo, o Google
demorou mais de 40 dias para retirar a página falsa após ter sido informado.
"Todo esse tempo o Anderson ficou exposto."
Outro lado
O Google Brasil afirmou desconhecer o caso, porém disse que o conteúdo do site
de relacionamento é mantido pelos próprios usuários. "O Google entende que não é
responsável pelo que é publicado", diz Félix Ximenes, diretor de comunicação da
empresa no Brasil.
Segundo a empresa, existe dificuldade de identificar perfis falsos. Mas, quando
toma conhecimento de algum caso, retira a página do ar. Além disso, afirmou que
revela o endereço de IP (endereço virtual de um computador) dos usuários somente
com autorização judicial.
"A internet não é anônima. O usuário tem de se comportar como cidadão", afirmou
Ximenes.
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