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Gigantes da internet assinam código de ética
MAGGIE SHIELS
News, no Vale do Silício (EUA)
Microsoft, Google e Yahoo divulgaram nesta terça-feira um código de conduta
conjunto para oferecer proteção à liberdade de expressão na internet e garantir
a privacidade de usuários contra a intromissão de governos no ambiente online.
O código, intitulado Global Network Initiative, foi assinado depois de as
empresas terem sofrido críticas por auxiliarem governos como o da China a
censurarem conteúdos da internet.
Segundo o acordo, as companhias vão limitar os dados que poderão enviar aos
governos em questões que tratam da liberdade de expressão e privacidade dos
usuários.
"Este é um primeiro passo importante", avalia Mike Posner, da organização não
governamental Human Rights First.
Posner afirmou à BBC que o acordo é o "reconhecimento por estas companhias,
grupos de defesa dos direitos humanos e investidores de que deve haver uma
responsabilidade coletiva sobre este problema crescente".
"As empresas devem ser mais firmes em desafiar a interferência sem razão de
alguns governos (na internet)", disse Posner.
O documento afirma que a privacidade é " um direito humano e uma garantia da
dignidade humana" e diz que as empresas signatárias se comprometem a resistir a
demandas por restrições na liberdade de expressão e na privacidade feitas por
governos.
As empresas também se comprometem a avaliar o nível de liberdade de expressão em
um país antes de fecharem acordos e de se certificarem de que seus funcionários
e parceiros façam o mesmo.
"Estes princípios não serão uma solução definitiva para o problema, mas, o mais
importante para mim, é que eles fornecem mais transparência", afirma Danny O'Brien,
da Electronic Frontier Foudation.
"Nós nos juntamos a essa iniciativa porque sabemos que um grande número de
grupos trabalhando juntos pode conseguir mais do que uma empresa agindo
sozinha", disse Andrew McLaughlin, diretor global de políticas públicas do
Google.
Acusações
O advento do acordo acontece depois de anos de críticas e acusações de que
muitas empresas --inclusive Google, Yahoo e Microsoft-- concordaram em ajudar a
desenvolver o que é conhecido como "O Grande Firewall da China", um sistema de
bloqueio de conteúdos de Internet do governo chinês.
O Google foi acusado de cumprir exigências do governo chinês para filtrar
pesquisas na internet e eliminar resultados em seu sistema de buscas sobre
palavras como "democracia" e "Massacre da Praça da Paz Calestial", por exemplo.
Já a Microsoft foi acusada de bloquear o blog de um famoso pesquisador de mídia
chinês que publicou artigos contra a demissões no jornal Beijing News Daily.
Pesquisadores canadenses também afirmam que uma joint venture chinesa do serviço
de ligações pela internet Skype monitorava as comunicações dos usuários.
Um jornalista chinês também foi condenado a dez anos de prisão depois que o
Yahoo China forneceu suas informações pessoais ao governo.
Mapa
Nesta terça-feira, o CEO e co-fundador do Yahoo, Jerry Yang, comemorou a
assinatura do novo código de conduta.
"Estes princípios dão um mapa para companhias como o Yahoo operarem em mercados
onde a liberdade de expressão e a privacidade são restritas", disse.
"O Yahoo foi fundado sobre a crença de que promover o acesso à informação pode
enriquecer a vida das pessoas e os princípios acordados hoje refletem nossa
determinação de que as nossas ações reflitam esses valores ao redor do mundo",
afirmou Yang.
Mas, enquanto a China costuma ser pintada como o lugar onde estes direitos são
menos respeitados, o pesquisador Colin Maclay, do Centro Berkman para Internet e
Sociedade, da Universidade de Harvard, afirma que outros países e governos
também cometem abusos.
"O número de Estados buscando censurar conteúdo online ou procurando ter acesso
a informações pessoais na internet está crescendo", diz.
"Os meios empregados para isso --técnicos, sociais, legais e políticos-- são
cada vez mais sofisticados e diversas vezes colocam empresas de internet e de
telecomunicações em situações delicadas".
Questão de negócios
A Global Network Initiative foi desenvolvida pelas empresas de internet junto
com grupos de defesa dos direitos humanos, acadêmicos e investidores.
Adam Kanzer, diretor da companhia de investimentos Domini Social Investments,
afirma que a iniciativa, assim como é a "coisa certa a se fazer", também faz
sentido nos negócios.
Ele disse à BBC que "quando se vê a indústria caindo em táticas de vários
regimes ao redor do mundo, a questão dos negócios é muito clara".
"A liberdade de expressão é central nos negócios destas empresas. Elas dependem
de uma internet aberta, livre e segura. Se as pessoas não acreditarem na
internet e não acharem que ela é segura, é contraproducente para seus negócios".
Mas os esforços já estão sendo vistos por alguns como insuficientes. "Depois de
dois anos de discussões, eles terminaram com muito pouco", diz Morton Sklar,
diretor-executivo da ONG World Organization For Human Rights, nos EUA.
"Isto é pouco mais de que uma declaração de apoio a princípios gerais, sem
nenhum mecanismo concreto que garanta que as medidas sejam adotadas", afirma.
Apesar das críticas, espera-se que outras empresas assinem o código de conduta e
duas empresas européias, France Telecom e Vodafone, já afirmaram estar
considerando adicionar seus nomes ao acordo.
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