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Sites antecipam guerra de preços para o Natal
Claire Cain Miller e Brad Stone
Redação Terra
Enquanto shoppings e lojas de departamento lutam para atrair consumidores com
pouco dinheiro através de grandes descontos nesta temporada de fim de ano, uma
guerra de preços similar e muito mais feroz é travada online. Os varejistas da
Internet, tentando navegar pelo que parece ser a primeira temporada
verdadeiramente triste de compras na web, estão oferecendo preços baixos e
descontos agressivos, a ponto de comprometer seus lucros e, em alguns casos, até
sua sobrevivência. A Sony, por exemplo, lançou seu gravador de vídeo digital de
alta definição HDR-SR11 em abril, com o preço sugerido de US$ 1,2 mil no varejo.
Nesta semana, a Dell.com está vendendo o aparelho por US$ 899 e a loja de
eletrônicos Abe's, do Maine, oferece o produto em seu site por US$ 750 - ambos
com frete grátis.
No Lori's Designer Shoes, um site de acessórios femininos, uma bolsa de couro
marrom da Hype que era vendida por US$ 338, baixou para US$ 246 e agora ainda
pode ser adquirida com um cupom de 20% de desconto por US$ 196,80. Lori Andre, a
dona do site, disse que em geral tenta evitar promoções online "porque você
acostuma o consumidor a esperar por isso e acaba não ganhando dinheiro." Mas na
semana passada, o tráfego do site despencou e as vendas caíram quase 25%.
"Estamos no ramo há 25 anos e nunca vimos uma queda assim," ela disse.
Obviamente, lojistas tradicionais enfrentam o mesmo problema e os descontos se
proliferam dos shoppings do subúrbio até a Quinta Avenida. Mas a baixa de preços
é mais agressiva na web, onde os consumidores podem facilmente pesquisar os
melhores preços com uma busca rápida no Google ou em sites especializados de
compras como Shopping.com.
A concorrência online está a apenas um clique. Para muitos sites, os descontos e
preços baixos são somente uma maneira de manter os consumidores em meio à queda
inesperada das compras online. A empresa de pesquisa comScore reportou na
terça-feira que o crescimento das vendas nos sites de comércio eletrônico
desacelerou para 1% em outubro em comparação ao ano anterior - o índice mais
baixo já registrado para compras online e muito inferior aos 20% de ganhos
costumeiros do setor.
As vendas de músicas, filmes, livros, softwares, flores e presentes sofreram o
maior baque, com declínio superior a 10%, disse a comScore. "Muitos desses
varejistas já não estavam operando com grandes margens, então está bastante
complicado," disse Gian Fulgoni, presidente da comScore. "Mas é uma situação
inescapável: eles precisam fazer essas promoções porque é isso que os
consumidores estão procurando nessa temporada."
Para preservar a integridade de suas marcas e algum nível de controle de preços,
algumas companhias da web estão promovendo sites de descontos separados de suas
principais marcas. O Zappos.com, varejista de calçados de Henderson, Nevada,
nunca faz promoções em seu site. Em vez disso, a empresa silenciosamente
transfere os calçados não vendidos em seis meses para o 6pm.com, um site de
liquidações adquirido neste ano, mas administrado separadamente. Neste mês, a
empresa está comprando mais anúncios de busca para o 6pm.com, onde um par de
Keds coloridos está em promoção por US$ 12,73 - desconto de 74% do preço
original no Zappos.com.
Mesmo quando esses descontos radicais significam vender calçados por um valor
inferior ao pago pelo Zappos.com, é melhor recuperar algum dinheiro do que nada,
disse Tony Hsieh, chefe-executivo da companhia.
Os descontos não são apenas drásticos, mas também ocorrem excepcionalmente cedo
na temporada. A Kmart, divisão da Sears Holding, antecipou as promoções de
eletrônicos - 40 a 50% de desconto - que costumam ocorrer após o dia de Ação de
Graças, para o dia 2 de novembro, quase quatro semanas antes da sexta-feira após
o feriado, dia que marca o início da temporada de compras para o fim de ano. Os
descontos da Kmart estão disponíveis tanto online quanto nas lojas, mas o
varejista está oferecendo frete grátis para compras acima de US$ 49 nesta
semana, uma medida que nunca foi tomada antes.
Especialistas em comércio eletrônico dizem que a competição acirrada de preços
poderá ser fatal para alguns varejistas em dificuldade. "Aqueles que já estavam
na forca ou quase durante os tempos prósperos agora vão afundar. Não há dúvida
disso," disse George Michie, co-fundador do Grupo Rimm-Kaufman, uma companhia de
pesquisa de marketing.
O frete gratuito está se tornando um imperativo para todos os sites de comércio
eletrônico. Três quartos dos compradores online disseram em pesquisa da comScore
que deixariam de comprar em um site que não oferecesse frete grátis, e quase
todos os sites oferecem isso para pelo menos algumas compras.
Gigantes do comércio eletrônico como Amazon.com, que oferece frete grátis para
compras acima de US$ 25 e elimina até mesmo esse mínimo para os consumidores que
pagam uma taxa anual fixa, podem facilmente absorver os custos de envio. Mas
pequenos vendedores online têm dificuldades. A Powell's Books, livraria de
Portland, Oregon, compete por clientes com o Amazon.com e oferece frete grátis
apenas para compras acima de US$ 50. "Em nosso modelo de negócio, não temos
condições de oferecer frete grátis para todas as compras. Não funcionaria,"
disse Dave Weich, diretor de marketing da Powell's.
Para complicar a situação, um grande gasto para varejistas online parece estar
crescendo: o custo de se anunciar produtos no site de busca Google, fonte de
considerável tráfego e visibilidade para a maioria dos sites de comércio
eletrônico.
Ao longo do último um ano e meio, os preços para anúncios de textos relacionados
a artigos de moda femininos quadriplicaram, afirmam varejistas de roupas. Na
popular categoria de presentes, o preço para anunciar entre as buscas comuns
como "cestas de presentes" subiu 50% em 2007, comparado ao final de ano de 2006,
e espera-se que haja um novo aumento este ano.
Para a Delightful Deliveries, uma companhia de 10 anos que vendia cestas de
presentes online, esse gasto extra - mais o desafio de competir com os preços de
seus próprios atacadistas, que também vendem pela Internet - foi maior do que
pôde suportar. A companhia de oito funcionários, com sede em Port Washington,
Nova York, fechou em setembro.
Eric Lituchy, fundador da Delightful Deliveries, agora assiste à guerra de
preços na Internet do lado de fora. "Acredito que todos estejam rezando para que
a economia não piore ainda mais e que as pessoas encontrem razões para terem
otimismo e gastarem dinheiro no período de Natal," ele disse.
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