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Alemanha deve mudar lei sobre espionagem online
O governo alemão
deverá modificar sua proposta de lei que autoriza escutas, vigilância com
câmaras de vídeo e espionagem online a computadores privados pela BKA (polícia
federal da Alemanha), após ela ser rejeitada por vários integrantes da Bundesrat
(câmara alta, equivalente ao Senado).
O Executivo enviou nesta quarta a lei à comissão de arbitragem para que busque
uma fórmula de compromisso para desbloquear a norma, que já tinha sido aprovada
pela Bundestag (câmara baixa, equivalente aos deputados), com os votos da grande
coalizão da chanceler Angela Merkel.
O aspecto mais controvertido da lei é o que autoriza a espionagem online em
computadores privados, que foi rejeitado em bloco na Bundestag pelas três
formações da oposição, o Partido Liberal (FDP), os Verdes e a Esquerda.
Os estados onde estes partidos fazem parte da coalizão de governo rejeitaram a
lei, na sexta-feira, na câmara de representação territorial.
A este bloqueio se uniu o de vários integrantes da câmara alta liderados pelo
Partido Social-Democrata (SPD), membro da coalizão de Merkel, que no Bundestag
tinha abençoado o projeto.
A própria chanceler expressou seu desconforto por este fato e chamou a direção
do SPD a impor disciplina em suas fileiras.
Na Alemanha não é incomum que os senadores atuem por sua conta e que se bloqueie
no Bundesrat o que foi aprovado pelas formações governamentais na câmara baixa.
A Lei de escutas online é um dos principais projetos na atual legislatura do
ministro do Interior, o conservador Wolfgang Schäuble.
Seu objetivo é transformar a BKA, um corpo formado por 5,5 mil agentes, em uma
força policial envolvida também na prevenção antiterrorista.
A BKA assumiria assim funções preventivas, como a vigilância e controle sobre
informação passada por computadores privados, incluída a observação online,
assim como escutas a domicílios de suspeitos.
A oposição acusou a Schäuble de pretender dotar a BKA de métodos próprios,
segundo ela, da Stasi - polícia secreta da extinta Alemanha Oriental comunista
-, reforçados pelas novas tecnologias.
Schäuble rejeitou as acusações e afirmou que as operações se realizarão em casos
muito concretos, não de maneira geral, e de acordo com as leis de proteção de
dados pessoais e com a conseguinte autorização judicial.
Para que a lei entre em vigor ela precisa da aprovação da Bundesrat, que
Schäuble pretende conseguir no começo de 2009.
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