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Setor de notícias busca modelo de negócios na web
The New York Times
Recentemente, a
iTunes, a onipresente loja de música online da Apple que vendeu mais de 2,4
bilhões de faixas apenas no ano passado, mudou de tom, anunciando que as músicas
não seriam mais vendidas com restrições de cópias e que estariam disponíveis por
preços variados. A elite digital vociferou sobre o colapso dos odiados direitos
digitais (que a Apple também nunca gostou) e gravadoras se animaram com a idéia
de deixar para trás a tirania dos preços vírgula 99.
Mas perdido na confusão estava o fato de Steve Jobs e a Apple terem conseguido
cobrar por conteúdo antes de mais nada. Lembre-se de que quando o iTunes
começou, a indústria musical estava destruída pelo compartilhamento de arquivos.
Por oferecer uma interface simples e ter o amplo apoio de companhias musicais,
Jobs ajudou a tirar o setor do precipício. Ele foi acusado de tratar com
arrogância os selos musicais, que são uma fração de seus tamanhos anteriores.
Mas que se mantêm nos negócios.
Aqueles que atuam no ramo jornalístico não podem ser condenados por esperar que
alguém como Jobs apareça e arruíne o setor com o mesmo truque: convencendo
milhões de leitores interessados, que conseguem notícias todos os dias
gratuitamente nos sites de jornais, que é hora de começar a pagar por isso.
Por um longo tempo, os jornais presumiram que à medida que seus anúncios
impressos diminuíssem, em algum momento cruzariam com a linha ascendente da
renda de anúncios online. Mas essa renda não está mais crescendo em muitos sites
de notícias, então, se houver esse cruzamento, será porque a receita impressa
está a caminho do porão.
Como descrito em um relatório de Craig Moffett da Bernstein Research no ano
passado, "a idéia de que o enorme custo da coleta de notícias reais pudesse ser
sustentado pelos anúncios no rodapé do site, ou pela partilha da receita de se
manter uma caixa de buscas do Google em uma ponta da página, ou mesmo por um
comercial de 15 segundos antes de aparecer a notícia, é idiota logo de cara."
Com os jornais indo à falência mesmo enquanto o número de seus leitores cresce,
o risco não recai apenas sobre as companhias que os controlam, mas também sobre
as próprias notícias. Michael Hirschorn, escrevendo na edição de
janeiro-fevereiro da revista The Atlantic, usou um pouco de matemática grosseira
para prever o fim do New York Times e então acrescentou que isso nem seria
grande coisa, já que tweets, blogs e agregadores de notícias básicas poderiam
preencher a lacuna na reportagem de eventos terríveis em Mumbai ou Nova Orleans.
r Hirschorn é um cara esperto - já trabalhei para ele em um site de mídia
virtual - e embora não haja nada sagrado no New York Times, o músculo experiente
e, sim, caro do jornalismo que exerce em grandes ou pequenos eventos não será
substituído pela vanguarda de provedores de conteúdo não-pago. Não é que o
jornalismo seja inconcebivelmente difícil; mas leva muito tempo e vontade para
se manter uma história.
"Gratuito não é um modelo de negócio," disse Moffett da Bernstein. "Soava bem e
todo mundo adorou, mas quando se olha em volta, fica claro que isso está criando
devastação e que não funcionará no longo prazo." (Ele contou com uma risada que
seu relatório para a Bernstein, uma pesquisa com direitos autorais, rapidamente
circulou clandestinamente pela web.)
Outras publicações impressas procuraram diretamente o leitor para ajudar com os
custos. A Cook's Illustrated é uma bela revista retrô que traz uma abordagem
moderna sobre alimentação. E sua abordagem de publicação? A Cook's Illustrated
não tem anúncios e cobra pelo acesso a seu banco de dados de receitas. Além de
seus 900 mil assinantes e 100 mil e poucos compradores de bancas, a companhia
possui 260 mil assinantes digitais a um custo de US$ 35 ao ano, um grupo que
cresceu 30% em 2008.
Existe alguma forma de reverter a expectativa geral de que essa informação,
incluindo o conteúdo coletado e produzido por profissionais, deva ser gratuito?
Se as publicações quiserem realizar uma "dinheirotomia" em seus usuários, devem
provavelmente olhar para o que aconteceu com a música, uma indústria para a qual
as pessoas pagavam consideravelmente por LPs, depois fitas, depois CDs, que foi
sobrepujada pela expectativa de que o mesmo produto deveria ser gratuito.
Jobs via a música como algo mais - um negócio de software subsidiário às vendas
de iPods e iPhones. Não é uma perspectiva que agradou as pessoas dos negócios
musicais, mas acabou persuadindo ouvintes a pagar por sua mercadoria.
Então novamente, um amigo do setor me enviou um link de um item no site
TechCrunch (sim, também gratuito) que descrevia um dispositivo que poderia
realmente funcionar para os jornais.
"Esperem pelo lançamento de um iPod de tela grande sensível ao toque, de sete a
nove polegadas, no outono americano de 2009," sugeria o item.
O aparelho permitiria o escaneamento de páginas com um toque. Parece promissor
para jornais e revistas. Tudo que precisamos agora é um modelo de negócio para
avançar.
Tradução: Amy Traduções
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