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"Web 2.0 é frustrante", diz criador do "www"
Tim Berners-Lee,
criador do sistema "www" (World Wide Web), considera "frustrante" a web 2.0,
termo utilizado para descrever o movimento que enfatiza o conteúdo colaborativo
gerado entre internautas em sites e redes sociais. Em visita ao Brasil,
Berners-Lee defendeu a evolução para uma web 3.0, que promete ser uma "revolução
semântica" na rede.
"O usuário precisa ter mais controle na internet. A web 2.0 é frustrante porque
não é possível usar a vasta quantidade de informações do sistema", afirmou,
durante participação na Campus Party, evento de tecnologia que acontece em São
Paulo. "Há coisas fascinantes na internet. Ela deve servir como melhoria de vida
à humanidade em termos de conhecimento."
Bastante requisitado, Berners-Lee tira foto com participante da Campus Party;
ele diz que gostaria de retirar o "//" do "http"
Berners-Lee diz que a web 3.0, mais interpretativa, possibilita o direcionamento
de informações para contatos específicos, por exemplo.
"Quando vejo a humanidade em rede, penso que determinadas informações têm de ser
públicas, mas deve haver o poder do usuário para distribuição ou não das suas
informações. Talvez isso mude no futuro", afirmou.
Basicamente, a diferença web 2.0 e sua sucessora é a arquitetura de
desenvolvimento. Na web 2.0, todos podem ser editores, a partir da criação da
sua própria mídia pessoal. Mas, segundo ele, não existe uma filtragem útil e
inteligente do grande volume de conteúdo gerado.
Daí surge a ideia de internet "semântica", uma "terceira onda" que possibilita a
organização e o uso de maneira mais inteligente de todo o conhecimento já
disponível na internet.
Sem monitoramento
Quanto à regulação do uso da internet para combate a crimes, Berners-Lee afirma
que a internet deve ter "neutralidade". "Não conheço a legislação brasileira,
mas além de bons servidores, sou a favor de que não se monitore, que a web seja
um ambiente neutro". Outro ponto defendido por ele é a ampliação de ambientes
acadêmicos na internet. "O website deve ser analisado academicamente, tanto
pelos aspectos técnicos quanto pelos sociais".
Questionado sobre o que eliminaria na internet, ele foi taxativo: "As duas
barras que acompanham o 'http'. Ganharia tempo. Mas o sistema de internet teria
que ser redesenhado".
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