A Unesco suspende projetos educacionais,
após corte de recursos
A Organização das Nações para a Educação, a Ciência e a
Cultura (Unesco) anunciou, esta quinta-feira, a
suspensão de parte de seus projetos até o fim do ano,
depois que os Estados Unidos retiraram seu
financiamento, após a admissão da Palestina como membro
da instituição.
Em discurso feito a diplomatas na sede da Unesco, em
Paris, Irina Bokova, diretora-geral da organização,
afirmou que a agência tem um déficit de US$ 65 milhões e
precisará suspender suas atividades até o fim do ano.

Paris
"A situação, peso minhas palavras, é difícil", afirmou
Bokova aos representantes do conjunto de Estados-membros
da instituição.
Pouco depois, uma porta-voz da Unesco informou à AFP que
as medidas anunciadas por Bokova só dizem respeito aos
"novos gastos".
"Não vamos fechar. Respeitaremos os compromissos já
assumidos, mas não faremos novas despesas daqui até o
fim do ano", explicou.
As medidas afetam, sobretudo, compromissos contratuais,
publicações, custos de comunicação, viagens de pessoal,
etc.
Estas medidas de economia não representam o cancelamento
da sessão do Comitê Intergovernamental da Unesco para a
Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da
Humanidade, que será celebrada em Bali, Indonésia, de 22
a 29 de novembro, afirmou a porta-voz.
Segundo a diretora-geral, os cortes permitirão "poupar
35 milhões de dólares, que com a utilização de 30
milhões de dólares do fundo de operações, completarão
este ano o déficit de tesouraria estimado em 65 milhões
de dólares".
"Este déficit corresponde à quantia devida pelos Estados
Unidos no ano de 2011", afirmou Irina Bokova no
encerramento da conferência geral da organização.
Para os anos 2012-2013, nos quais a Unesco enfrenta uma
previsão de déficit de US$ 143 milhões, Bokova disse
estar disposta a "tomar medidas radicais" e "aproveitar
a situação para reduzir ainda mais os gastos
administrativos".
Por enquanto, decidiu criar um fundo de emergência
aberto a doações de instituções, fundações e pessoas
físicas.
"Recebemos milhares de depoimentos de apoio após a
decisão dos Estados Unidos", afirmou a porta-voz da
agência da ONU.
O fundo, cujas modalidades de funcionamento estão por
definir, teria como objetivo financiar as atividades
chave da Unesco, explicou Bokova.
A diretora-geral propôs também aos Estados-membros que
aumentem suas contribuições para dobrar o fudo de
operações da agência, de US$ 30 a US$ 65 milhões de
dólares.
A Unesco admitiu, em 31 de outubro, a "Palestina como
novo Estado-membro" apesar das ameaças americanas, na
primeira vitória diplomática dos palestinos, que
pretendem se tornar um Estado soberano.
Os Estados Unidos, que deveriam destinar à Unesco 60
milhões de dólares em novembro, aporta 22% do orçamento
ordinário bianual desta organização, que antes do
anúncio desta quinta-feira chegava a US$ 653 milhões.
Antes da admissão da Palestina na Unesco, concretizada
durante votação em sua 36ª Conferência Geral, os Estados
Unidos advertiram que se esta iniciativa prosperasse,
suspenderia seus aportes em virtude de duas leis de 1990
e 1994, que proíbem o financiamento de instituições
internacionais que admitam palestinos como membros de
pleno direito.
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