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Durban vira
passei político, só perda de tempo e frustrações
África do Sul, 9 dez 2011 (AFP)
-Depois de 12 dias de discussões, as negociações
climáticas das Nações Unidas entraram na
''prorrogação'' nesta sexta-feira com China, Estados
Unidos e Índia pressionados a apoiar o projeto
europeu de um novo pacto global para conter as
emissões de gases causadores do efeito estufa.
A África do Sul, que preside a conferência, adota
uma abordagem cautelosa, de construção de consenso,
e o resultado das conversações é extremamente
imprevisível.
Espera-se que um grupo central de ministros de duas
dúzias de países, representantes de países ricos e
pobres, entre na disputa noite adentro.
Presumindo que cheguem a um acordo comum, seu
compromisso será submetido a um plenário, no sábado,
dos 194 países-membros da Convenção-quadro sobre
Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês).
Sobre a mesa está um plano europeu que teria o apoio
de quase dois terços dos países do mundo.
Trata-se de um "mapa do caminho" que levará a um
acordo a ser negociado em 2015 e que pela primeira
vez vinculará todos os países a compromissos legais
para enfrentar as emissões de gases estufa.
Colaborando com a proposta europeia estão os países
menos desenvolvidos, o bloco africano, pequenos
Estados insulares, Brasil e África do Sul, disse a
comissária do clima europeia, Connie Hedegaard.
Sem citar nomes, Hedegaard disse que isto deixa
Estados Unidos, Índia e China no papel de se
posicionar. Os Estados Unidos e a China são os dois
principais emissores de carbono do mundo.
Pequim diz não ser contrária a assumir compromissos
legais após 2020, mas vinculou esta proposta a uma
longa lista de condições.
Admitindo um contexto político doméstico difícil, os
negociadores de Washington evitam assinar qualquer
documento com compromissos "legalmente vinculantes".
"O sucesso ou o fracasso de Durban depende do
pequeno número de países que ainda não se
comprometeram com o ''mapa do caminho'' e do
conteúdo significativo que certamente deve ter",
disse Hedegaard.
Após atrasos que causaram frustrações perturbadoras,
a África do Sul produziu um esboço de texto e
convocou o grupo para uma "indaba" (palavra local
para fórum tradicional) para discuti-lo.
Mas o documento foi atacado por simpatizantes da
proposta do "mapa do caminho" porque não contém o
termo "legalmente vinculante" e porque o pacto -
descrito como um "marco" - só deverá entrar em vigor
após 2020.
"Colocamos o mundo em um processo de cozimento",
disse à imprensa o chefe da delegação boliviana,
Rene Orellana, diretor do grupo esquerdista
latino-americano Alba (Alternativa Bolivariana das
Américas.
"Esta é a morte do clima", disse Orellana, em
inglês.
"Não é um bom começo", afirmou Jennifer Morgan,
diretora do Programa de Clima e Energia do World
Resources Institute (WRI), um "think tank"
americano.
Karl Hood, ministro do Meio Ambiente de Granada e
que preside atualmente um bloco de pequenos países
insulares, foi perguntado se via "um final feliz" em
Durban.
"Não", disse, em declaração à AFP. "Para mim é
terrível. Não gostei nem um pouco do texto que nos
deram", acrescentou.
"É difícil para nós aceitar que se inicia um novo
processo no fim deste que se encerrará em 2015 e que
só estará operacional depois de 2020. E estamos
falando de Deus sabe quando", afirmou.
O plano do "mapa do caminho" visa a preencher um
vácuo em um momento em que os cientistas pedem ações
mais duras para conter as emissões de carbono que
levam o planeta a piores secas, inundações e
tempestades.
A meta é construir uma ponte entre o final de 2012 -
quando o primeiro período de compromissos do
Protocolo de Kioto expira - e 2020, ano para o qual
os países fizeram promessas voluntárias de redução
de carbono.
Essas promessas, segundo os cientistas, estão aquém
do que se precisa para evitar que a temperatura do
planeta aumente mais de 2ºC com base em níveis
pré-industriais.
Pela proposta da UE, o bloco europeu assinaria uma
segunda rodada de compromissos de Kioto,
satisfazendo desta forma os países em
desenvolvimento, como o Brasil, que reinvidicam a
preservação do tratado.
Enquanto as negociações avançavam no tempo extra, o
ministro do Meio Ambiente das Maldivas, Mohamed
Aslam, reuniu algumas centenas de ambientalistas em
uma marcha de protesto que bloqueou o acesso
principal ao plenário.
"Esta é uma emergência planetária. O mundo precisa
agir agora. Poder do povo, não das corporações",
foram algumas palavras de ordem usadas.
Seguranças das Nações Unidas dispersaram
pacificamente a manifestação, expulsando algumas
dezenas de pessoas, inclusive o diretor do
Greenpeace International, Kumi Naidoo.
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