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Morte de
Ditador é recebida com alivio e esperança pelo mundo
O anúncio repercutido mundialmente nesta
segunda-feira sobre a morte do líder da Coreia do
Norte, Kim Jong-il, ditador cruel que bebeia vinho
de caríssimo enquanto mais de (1) milhão de coreanos
morriam de fome, criou um clima de incerteza na
península que envolve o país, diante do receio sobre
os rumos que seu filho mais novo e sucessor, Kim
Jong-un, tomará para a estabilidade regional, como o
programa nuclear de Pyongyang. A dúvida agora é, se
seu sucessor será também outro estúpido ditador como
o pai.
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Enquanto a
fome extrema atinge mais de 6 milhões de
coreanos, o ditador morto bebia vinho com
valores acima de $200.000 dólares. |
Logo após saber da notícia, a vizinha Coreia do Sul
- em guerra técnica com o Norte desde que o conflito
entre ambos terminou em armistício, em 1953 -, além
de Japão, Estados Unidos e China, apressaram-se a
abrir linhas de diálogo para antecipar "possíveis
imprevistos", como indicou o ministro porta-voz do
governo japonês, Osamu Fujimura.
Esses países, junto com Coreia do Norte e Rússia,
fazem parte do diálogo multilateral para a
desnuclearização do regime norte-coreano, estagnado
desde que Pyongyang abandonou a mesa de negociações
em abril de 2009, um mês antes de fazer um teste
nuclear, baseado em um programa atômico de plutônio.
Neste ano, a Coreia do Norte se mostrou disposta a
se aproximar da comunidade internacional e retomar
essas conversas em troca de ajuda externa. O regime
realizou contatos bilaterais com Washington e Seul,
em uma aparente tentativa de limar asperezas e
oferecer mais informações sobre seu programa de
enriquecimento de urânio - paralelo ao de plutônio.
Pyongyang reconhece abertamente que enriquece
urânio, mas alega ser um projeto de uso civil, e não
militar. São claras as objeções de EUA e Coreia do
Sul.
Com a morte de Kim Jong-il, que apenas quatro meses
antes de sua morte expressou interesse em retomar as
negociações antinucleares, abre-se uma nova etapa de
diálogo internacional. Enquanto o falecido líder
oscilava entre hermetismo e reconciliação, agora
começa uma fase de dúvidas, com o jovem Kim Jong-un
à frente do regime.
A expectativa é que o filho mais novo do líder, que
nem sequer tem idade exata conhecida
internacionalmente - acredita-se que tenha 29 anos
-, seguirá a lógica de mão de ferro do pai, embora
sua inexperiência possa culminar num regime
comunista ainda mais fechado e hermético, conforme a
opinião de analistas sul-coreanos.
O momento se mostra particularmente delicado,
especialmente depois que delegados da Coreia do
Norte e EUA mantiveram uma reunião na sexta-feira
(um dia antes da morte de Kim) na qual,
supostamente, Pyongyang teria aceitado suspender o
enriquecimento de urânio em troca da retomada da
ajuda alimentícia de Washington.
Alguns analistas consideram que, após a morte de seu
pai, Kim Jong-un poderia optar por consolidar a nova
situação interna antes de retomar as conversas sobre
o programa nuclear.
Para o analista Cha Doo-hyeon, do Instituto para
Análise de Defesa de Seul, o controle do jovem
sucessor não é ainda sólido e precisará do apoio da
máquina política para sobreviver ao desaparecimento
de seu pai.
A inexperiência de Kim Jong-un pode despertar
receios nas elites políticas e militares da Coreia
do Norte, assim como entre a população civil do
país, onde a sociedade, ancorada nos tradicionais
princípios do confucianismo, considera a idade como
um importante fator de autoridade e respeito.
A ascensão do falecido Kim Jong-il ao poder ocorreu
somente após um longo período de preparação desde
que, em 1961, aos 19 anos, ingressou no quadro do
Partido Trabalhista da Coreia.
Desde então, ascendeu progressivamente e ocupou
diversos cargos no departamento do Comitê Central do
Partido Trabalhista durante 30 anos, até que foi
nomeado comandante supremo do Exército Popular da
Coreia em 1991, e, por fim, assumiu o poder em 1994.
Estima-se que Kim Jong-un, cuja trajetória é muito
mais curta que a de seu pai quando chegou ao poder,
tenha de depender de Jang Song-Thaek, cunhado de Kim
Jong-il e vice-presidente da poderosa Comissão de
Defesa Nacional.
Jang, casado com a irmã mais nova do falecido líder,
se ocupou de assuntos de segurança e defesa nos
últimos anos, assim como de projetos para atrair
investimentos estrangeiros, vitais para sustentar o
empobrecido país.
Na Coreia do Sul alguns analistas acreditam que Jang
se transformará em regente de Kim Jong-un e se
constituirá como uma figura-chave para a
transferência de poder, mas não se descarta
totalmente um novo conflito no seio do regime.
A transição não é algo simples por vários fatores:
em primeiro lugar, a Coreia do Norte vive em
permanente crise econômica desde a queda de sua
grande aliada histórica, a antiga União Soviética,
em 1991. Somente o estrito controle ideológico e
militar evitou até agora a ocorrência de revoltas
significativas.
Além disso, a sociedade global da informação abriu
brechas no hermetismo do país. Muitos norte-coreanos
acabam tendo acesso, por meios diversos, a
informações sobre a prosperidade na democrática
Coreia do Sul.
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