|
|
|
Ansiedade aumenta em até 40% o risco de doenças
cardíacas, diz estudo
Uma nova pesquisa da University of Southern
Califórnia, nos Estados Unidos, indica que a
ansiedade pode aumentar o risco de uma pessoa
desenvolver doenças cardíacas em até 40%.
Estudos anteriores já apontavam que pessoas com
a personalidade do chamado Tipo A --com
tendência à competitividade, falta de tempo,
envolvimento em múltiplas funções, ansiedade
excessiva e incapacidade de relaxar, entre
outras características-- têm maior propensão a
desenvolver doenças cardíacas.

Agora, a nova pesquisa publicada na revista
especializada "Journal of American College of
Cardiology" diz que ansiedade no longo prazo
eleva esse risco, mesmo quando outros fatores
comuns são levados em consideração.
"O que estamos vendo vai além do que pode ser
explicado por pressão sanguínea, obesidade,
colesterol, idade, fumo, níveis de açúcar no
sangue e outros fatores de risco para doenças
cardiovasculares", afirma Biing-Jiun Shen,
professor assistente de psicologia na University
of Southern Califórnia, em Los Angeles, e um dos
líderes da pesquisa.
Segundo Shen, o papel da ansiedade vai além dos
efeitos de depressão, raiva, hostilidade e
outras emoções negativas. "Esses fatores
psicológicos são importantes na previsão dos
riscos de doença cardíaca, mas a ansiedade é
única."
Ansiedade constante
"Homens mais velhos, com ansiedade constante ao
longo da vida, parecem ter maior risco de
doenças cardíacas, mesmo depois de considerados
os níveis de depressão, raiva, hostilidade e
comportamento do Tipo A."
Na pesquisa, Shen e sua equipe analisaram dados
de um estudo anterior, realizado para analisar
mudanças médicas e psicológicas associadas à
idade de um grupo de 735 homens inicialmente
saudáveis.
Os homens foram testados psicologicamente em
1986, quando apresentavam boa saúde
cardiovascular. Durante os 12 anos seguintes, os
participantes passaram por exames médicos em
média a cada três anos.
A equipe de Shen mediu a ansiedade em quatro
níveis diferentes. Também foram medidos
hostilidade, raiva, comportamento do Tipo A,
depressão e emoções negativas.
Foram levados em consideração inclusive os
hábitos de saúde dos participantes, como fumo,
consumo de álcool e dieta.
Risco crescente
Segundo os cientistas, os homens cujas respostas
se encontravam entre os 15% com maior nível de
ansiedade --em qualquer um dos tipos, ou em
todas elas combinadas-- apresentavam risco de
desenvolver doenças cardíacas de 30% a 40% mais
alto do que os outros participantes.
Aqueles com níveis de ansiedade mais altos
apresentavam riscos ainda maiores. A relação
continuou mesmo depois de levados em
consideração fatores de risco para doenças
cardíacas, como hábitos de saúde e
características da personalidade.
"A boa coisa da ansiedade é que ela é bastante
tratável", disse Shen. "Se alguém for muito
ansioso, se sofre de ataques de pânico, fobia
social ou preocupações constantes, nós
recomendamos terapia."
"Apesar de serem necessárias mais pesquisas, nós
esperamos que, reduzindo a ansiedade, nós
consigamos diminuir o risco futuro de doenças
cardíacas", acrescentou o pesquisador. "Esta é
mais uma razão para pedir ajuda."
O estudo, no entanto, não analisou os efeitos da
ansiedade para doenças cardíacas em mulheres.
|
|
|