|
|
|
|
|
Estudo acha 273 "alvos" para guerra contra o HIV
EDUARDO GERAQUE
O HIV é um seqüestrador eficiente de proteínas
humanas. Análise genética feita por cientistas
nos Estados Unidos conseguiu identificar 273
potenciais "reféns" usados pelo vírus para se
multiplicar dentro do organismo que ele invade.
Essa miríade de possibilidades abre novos
caminhos para o estudo científico da Aids e do
HIV.

Até hoje, apenas 36 proteínas desse tipo, usadas
pelo invasor como meio para se multiplicar no
interior do seu hospedeiro, haviam sido
identificadas pelos cientistas. Mas, após o
estudo publicado hoje na revista "Science", a
lista de "seqüestráveis" cresce bastante.
Existe um paradoxo que é só aparente neste novo
passo da guerra contra a Aids. Se o quadro
bioquímico ficou mais complicado --com um número
de interações entre vírus e células humanas
muito maior--, existem também mais "cativeiros"
para serem investigados.
"Em tese, não seria necessário desenvolver
drogas que combatessem todas as 273 ligações. Se
controlarmos apenas um desses "seqüestros",
poderíamos ter sucesso contra o HIV", afirmou à
Folha Stephen Elledge, pesquisador da Escola de
Medicina de Harvard e principal autor do estudo.
Como o HIV tem um arsenal biológico bastante
simples (nove genes que codificam 15 proteínas),
todo o seu poder de fogo está na capacidade que
ele tem de usar o maquinário celular do
organismo invadido.
As 273 proteínas humanas encontradas agora são
os chamados "fatores de dependência do HIV". "A
expansão dessa lista de alvos é uma espécie de
máquina geradora de hipóteses para o
desenvolvimento de novas pesquisas e drogas",
explicou Elledge.
Sem controle
O processo de invasão tem várias etapas. Basta
um desses canais ser ativado para que a
proliferação viral ocorra.
Após a ligação do vírus com um fator de
dependência, o RNA viral (molécula-irmã do DNA
na qual estão codificados os genes do HIV) será
transformado em DNA. Desta forma ele consegue
chegar ao núcleo das células humanas e traduzir
seus genes em proteínas. Estas darão origem a
novos vírus, que saem da célula infectada e se
espalham pelo hospedeiro.
O rastreamento das 273 proteínas foi feito por
meio de uma técnica que corta e cola as
moléculas de RNA. "Esse é um procedimento
bastante barato em comparação com outros estudos
genômicos. Ele custou US$ 70 mil.
Seqüenciamentos de DNA de tumores podem chegar
aos US$ 10 milhões."
|
|
|
|
|