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Capacete é esperança para mal de Alzheimer
Cientistas britânicos estão testando um novo
capacete, que emite raios infravermelhos e que
poderia em tese ser usado para reverter os
efeitos do mal de Alzheimer, segundo estudo
publicado esta semana na revista científica
"Science Direct".
O capacete foi desenvolvido pelo médico Gordon
Dougal, diretor de um instituto de pesquisas
médicas na região de Durham, na Inglaterra.
Ele usou os raios infravermelhos pela primeira
vez em humanos para a criação de um aparelho
para o tratamento de herpes e percebeu que a
exposição aos raios estimula a produção de novas
células.
Dougal testou o uso dos raios em pacientes com
demência na sua cidade e percebeu uma melhora
nos sintomas da doença em 8 de cada nove
doentes.
Ratos
Para ter uma base científica mais elaborada para
a observação, o médico entrou em contato com uma
equipe de cientistas da Universidade de
Sunderland, na Inglaterra.
Os cientistas fizeram testes de laboratório
usando raios infravermelhos em camundongos que
sofriam de problemas de memória.
O estudo analisou a resposta de camundongos
novos (4 meses) e mais velhos (12 meses). Os
roedores mais velhos apresentavam déficit de
memória em comparação aos mais jovens.
No entanto, ao serem expostos a quantias seguras
de raios infravermelhos, os camundongos mais
velhos tiveram a perda de memória revertida.
Os pesquisadores sugerem que a exposição
freqüente a níveis seguros de raios
infravermelhos pode ajudar no aprendizado e
ativar a função cognitiva do cérebro, já que
estimula a produção de células, inclusive de
neurônios.
Os primeiros testes do capacete em pacientes de
mal de Alzheimer serão realizados a partir de
junho em 100 doentes no Reino Unido.
Segundo Dougal, para surtir efeito, os pacientes
de demência deveriam usar o capacete por dez
minutos todos os dias e os resultados
apareceriam nas primeiras quatro semanas.
Avanço
De acordo com os pesquisadores, o estudo pode
representar um avanço no tratamento da demência
pois reverte os sintomas, ao invés de apenas
amenizá-los, como em outros tratamentos.
"Atualmente os sintomas da demência podem apenas
ser reduzidos --o novo processo não apenas vai
parar os sintomas, mas parcialmente
revertê-los", disse Dougal.
Para a Alzheimer Society, que trabalha com a
pesquisa e ajuda a famílias e pacientes de
Alzheimer, a técnica tem potencial.
"Um tratamento que reverte os efeitos da
demência ao invés de apenas reduzir
temporariamente os sintomas pode mudar a vida de
milhares de pessoas que vivem nesta condição
devastadora", disse um porta-voz da organização.
"Esperamos ansiosos pelo próximo passo da
pesquisa para avaliar se a exposição aos raios
pode melhorar a cognição em humanos. Somente
assim podermos investigar se os raios
infravermelhos podem beneficiar pacientes de
demência", concluiu.
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