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Especialista: Brasil pode exportar gel contra
HIV
A professora de Biologia Marinha Valéria
Laneuville Teixeira, do Instituto de Biologia da
Universidade Federal Fluminense (UFF), disse que
o Brasil poderá exportar, principalmente para
países da África, o gel vaginal desenvolvido a
partir de algas marinhas para prevenir infecções
do vírus HIV, causador da aids.
Ela disse que é necessário comprovar se o
produto não é tóxico e se é eficaz em seres
humanos. Com esses testes prontos, "o Brasil
poderá exportar, com certeza", afirmou Valéria.
A especialista conseguiu isolar o composto
químico (dolabelladienetriol) extraído da alga
marinha parda, encontrada em grande parte da
costa brasileira. O composto foi transformado em
um gel pelo professor Luiz Roberto Castello
Branco, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do
Ministério da Saúde, parceiro no projeto.
O gel vaginal funciona como um preventivo contra
a aids em relações sexuais. "O certo é usar com
a camisinha", disse Valéria Teixeira. Ela
acrescentou, porém, que em alguns países, como a
África, o uso da camisinha é quase um tabu.
O Instituto de Biologia da UFF já iniciou testes
em camundongas. Mas, para que o gel vaginal
possa ser comercializado, é necessário que sejam
feitos também testes clínicos, isto é, em
pacientes com aids.
Valéria Teixeira informou que deverão ser
efetuados testes em células humanas de colo de
útero. A previsão é de que a fase clínica tenha
início em 2009 ou 2010.
A pesquisadora afirmou que o produto também
poderá ser adotado pelo Ministério da Saúde em
programas de prevenção contra a aids. O
ministério tem apoiado o projeto, inclusive em
termos financeiros.
O gel vaginal desenvolvido no Brasil apresenta
um custo elevado devido à substância ativa
coletada da alga. Valéria Teixeira disse, porém,
que o Instituto de Biologia da UFF já está
desenvolvendo estudos, em colaboração com a
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),
para cultivar essa alga.
A idéia é que o produto possa ser obtido de
maneira mais rápida, sem degradar o meio
ambiente. "O que a gente quer é ter a substância
sem ficar extraindo a alga do ambiente. É o
desejável", afirmou.
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