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Sal estimula obesidade em crianças, diz pesquisa
Dietas ricas em sal podem ser a chave para
explicar a obesidade em algumas crianças,
segundo uma pesquisa da Universidade de Londres
divulgada na revista especializada Hypertension.
Em um estudo com dados de 1.600 crianças, os
pesquisadores concluíram que aquelas que têm uma
dieta alta em sal têm tendência a beber mais
líquido, inclusive refrigerantes e refrescos
adoçados com açúcar.
Segundo os cientistas, ao cortar pela metade o
consumo diário médio de sal de 6 gramas por dia,
as crianças estariam cortando 250 calorias de
sua dieta semanal.
Os pesquisadores pediram à indústria que reduza
a quantidade de sal dos alimentos.
Uma em cada cinco crianças na Grã-Bretanha está
acima do peso e teme-se que isso contribua para
o aumento da tendência de obesidade, doenças
cardíacas e derrames na fase adulta.
Consumir produtos ricos em sal tende a provocar
sede nas pessoas e estudos anteriores já
demonstraram que, em adultos, uma dieta rica em
sal aumenta o consumo de refrigerantes e
refrescos adoçados.
Este é o primeiro estudo a identificar o mesmo
efeito em crianças.
Primeiro entre as crianças
A equipe do hospital universitário St George's
avaliou dados da Pesquisa Nacional de Dieta e
Nutrição conduzida em 1997 e usou uma amostra de
1.600 crianças, entre quatro e 18 anos de idade,
que tiveram o consumo diário de sal e líquidos
medidos com precisão.
A equipe concluiu que as crianças que comiam
menos sal bebiam menos líquidos, e estimou que o
corte de um grama de sal da dieta diária
equivale à redução de 100 gramas no consumo
diário de líquidos.
Aproximadamente um quarto dessas 100 gramas
corresponderia à bebidas adoçadas, segundo
previsão dos cientistas.
Os pesquisadores estimam que se as crianças
cortarem o consumo diário de sal pela metade -
uma redução média de três gramas por dia -
haveria uma redução de cerca de dois copos de
bebida adoçada por semana, por criança.
Isso, por sua vez, diminuiria o consumo semanal
de calorias em quase 250 calorias. Os
pesquisadores aconselham os pais a checar a
quantidade de sal na embalagem de alimentos
infantis para encontrar formas de reduzir este
consumo.
Segundo a equipe, reduções de 10% a 20% da
quantidade de sal são imperceptíveis pelos
receptores gustativos humanos.
Graham McGregor, um dos autores do estudo e
presidente da Ação de Consenso sobre Sal e
Saúde, disse que enquanto alguns fabricantes já
agiram para reduzir os níveis de sal em pães e
cereais - as principais fontes de sal para
crianças - ainda há muito a ser feito pela
indústria.
Segundo o médico, muitos dos alimentos
processados destinados às crianças são salgados
em nome do sabor. "O nível de sal desses
produtos chega a quase o mesmo nível que a água
do mar."
Pedido de rótulo
Myron Weinberger, do Centro Médico da
Universidade de Indiana disse que a redução do
consumo de sal e bebidas açucaradas entre as
crianças, combinados ao aumento das atividades
físicas, poderiam ajudar a diminuir "a
calamidade da doença cardiovascular" na
sociedade ocidental.
Um porta-voz da British Heart Foundation disse
que a melhor rotulagem de alimentos ajudaria os
pais a escolher alimentos mais saudáveis para
suas famílias.
"Quando as crianças consomem alimentos salgados
regularmente com bebidas adoçadas e calóricas,
isso pode representar problemas duplos para o
futuro da saúde de seus corações."
"Esse relatório é mais uma prova de que as
crianças têm que receber apoio para fazer
escolhas saudáveis em termos de alimentos e
evitar serem obesas ou aumentar sua pressão
sangüínea."
BBC Brasil
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