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Cresce número de casos de anorexia após os 50
anos
A Associação Britânica de Especialistas em Dieta
(BDA, na sigla em inglês) divulgou um alerta
sobre o aumento no número de casos de distúrbios
alimentares como bulimia e anorexia nervosa
entre mulheres acima dos 50 anos na
Grã-Bretanha.
Segundo a diretora da BDA, Ursula Philpot, as
mulheres mais velhas que apresentam anorexia e
bulimia já representam 10% das pacientes de
transtornos alimentares tratadas no país. Ela
afirma também que os especialistas observaram um
aumento no número de homens em tratamento.
"Há dez anos era extremamente raro ver mulheres
mais velhas e homens com transtornos alimentares
nas unidades de atendimento. No entanto,
atualmente, em uma enfermaria com 20 leitos, é
mais comum ver pelo menos duas mulheres mais
velhas e um homem sendo tratados", disse Philpot.
Um porta-voz da BDA afirmou à BBC Brasil que a
principal preocupação dos especialistas é
encontrar o tratamento correto para estes novos
casos. Segundo ele, há necessidade de alterar os
tratamentos para contemplar os casos de anorexia
nervosa e bulimia entre mulheres acima dos 50
anos.
"Há uma discussão sobre a criação de um novo
tratamento a ser usado especialmente nestes
casos", explicou o porta-voz.
Brasil
O aumento no número de pacientes acima dos 50
anos que apresentam distúrbios alimentares
também foi observado no Brasil.
Apesar da falta de dados sobre a incidência
destes casos no país, o aumento provocou a
criação de um departamento especial para
atendimento destes casos no principal centro
especializado em transtornos alimentares do
Brasil.
Em entrevista à BBC Brasil, o médico Táki
Cordas, fundador do Ambulatório de Bulimia e
Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas
de São Paulo (Ambulim), afirmou que a equipe
criou um centro especial para tratar essas
pacientes e que o tratamento é similar ao das
pacientes anoréxicas mais jovens.
"Criamos um ambulatório que chamamos de
transtornos alimentares refratário para tratar
de pacientes que apresentam o início da doença
depois dos 40 anos, além de outros casos", disse
o médico.
"O tratamento é muito parecido, no entanto o
impacto é maior nas pacientes de mais idade.
Nestes casos, por exemplo, a terapia é
individual, não em grupo. O tratamento é mais
intenso", afirmou Cordas à BBC Brasil.
De acordo com ele, a intensidade do tratamento é
maior porque a evolução da doença é mais grave
nas pacientes mais idosas.
Mídia
Cordas afirma que, a exemplo do Brasil e da
Grã-Bretanha, o aumento no número de mulheres
acima dos 40 anos que apresentam distúrbios
alimentares deve ser um fenômeno comum em outras
sociedades.
"As sociedades industriais são tão parecidas que
vamos encontrar o fenômeno em outras regiões,
não vejo porque isso seria um fenômeno isolado",
disse o médico à BBC Brasil.
Segundo ele, uma das causas para o aumento no
número de casos pode ser a pressão por ter um
corpo esbelto e aparentar ser mais jovem, a
exemplo das celebridades.
"Estamos vendo casos nos quais as mulheres mais
maduras, que poderiam ser menos suscetíveis a
estas pressões, estão respondendo a estas
exigências sobre a imagem", afirmou.
"Algumas mulheres depois dos 50 anos ficaram
deformadas pelo abuso das cirurgias plásticas.
Acredito que a obsessão pelas plásticas e o
aumento no número de pacientes com transtornos
alimentares acima dos 40 anos podem ser
fenômenos correlacionados", concluiu o médico.
BBC Brasil
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