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Fruta em cápsula promete fornecer antioxidantes
MÁRCIO PINHO
Os benefícios que as frutas propiciam à saúde
são diversos. Mas não são todos que gostam delas
ou encontram tempo para ter uma dieta
balanceada. Para essas pessoas, a indústria
farmacêutica oferece uma novidade: a fruta em
cápsula.
Importado da França, o Oxxynea entrou
recentemente no mercado brasileiro e é
encontrado em farmácias de manipulação, por
preços que variam de R$ 100 a R$ 200, em média
--caixinha para um mês.
A cápsula concentra 22 itens e, além de frutas
como maçã, cereja, laranja e morango, traz ainda
o extrato de alguns legumes e verduras.
Ela não segue o mesmo princípio dos complexos
vitamínicos, porque contém principalmente os
antioxidantes das frutas. São substâncias que
atuam contra a ação danosa dos radicais livres e
que, assim, podem ajudar a prevenir doenças,
reduzir o colesterol e atuar também contra o
envelhecimento.
Segundo o farmacêutico Maurício Pupo, da
Consulfarma, empresa que presta consultoria à
Gerbras, a distribuidora do produto no Brasil,
tomar uma cápsula do extrato é o mesmo que comer
dez porções de saladas de frutas em termos de
antioxidantes.
"Tem gente que só come arroz, feijão e bife. Ou
então que tem uma vida corrida e acaba não
comendo fruta. Para essas pessoas, o produto
pode ser bastante indicado, pois ajuda a repor
os antioxidantes."
Ele diz que uma cápsula tem 5.000 Oracs (índice
que mede a capacidade antioxidante). "Isso é um
pouco mais do que o encontrado nas 400g diárias
de frutas e vegetais, mínimo recomendado pela
OMS (Organização Mundial da Saúde)."
A possibilidade de benefícios à saúde faz com
que alguns médicos já receitem o produto. É o
caso da dermatologista Valéria Campos, que
considera o Oxxynea um complemento saudável.
"Uma das principais causas do envelhecimento é a
ação dos radicais livres na pele. O produto
ajuda a combater isso."
Ela afirma ainda que incentiva seus pacientes a
ter uma boa alimentação e a não depender apenas
das cápsulas --mas pessoas que comem bem, diz,
também podem tomá-las.
Dieta
Se por um lado o produto tem grande quantidade
de antioxidantes, por outro, não tem as fibras e
traz menor quantidade de vitaminas que as
frutas.
Esse é um dos motivos pelo qual Edson Credidio,
diretor da Abran (Associação Brasileira de
Nutrologia), diz que comer as frutas naturais é
um hábito mais saudável e mais barato.
Segundo ele, a cápsula pode não adiantar nada
caso não haja também uma dieta balanceada e a
prática de exercícios.
"Nós temos uma grande biodiversidade de frutas
no Brasil, de fácil acesso. Você tem um efeito
do alimento funcional quando ele é inserido num
plano alimentar. Se não comer direito, não
adianta." Ele afirma ainda que, de uma
quantidade muito grande de antioxidantes, parte
pode nem sequer ser absorvida pelo organismo.
Quem também prefere indicar frutas naturais às
cápsulas é o nutricionista da USP Daniel Bandoni.
De acordo com ele, seriam necessárias pesquisas
científicas comprovando a eficácia da mistura e
se eles podem ou não oferecer riscos.
"Poucos estudos demonstram os efeitos
antioxidantes das substâncias presentes no
extrato, principalmente quanto estão fora dos
alimentos." Ele diz ainda que recorrer a
suplementos pode ser um desestímulo a uma boa
alimentação.
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